skip to Main Content

Porto, por que não branco?

Aproveitemos a (muita) oferta

Um dos vinhos que selecciono hoje – Ramos Pinto branco 20 anos – insere-se nas Categorias Especiais do Vinho do Porto. Nesta grande “família” cabem vinhos do Porto de perfis muito diferentes mas que têm maioritariamente entre si o facto de terem nascido como vinhos de grande qualidade. Falamos de dois grandes grupos, os tawnies e os rubis. Os primeiros que envelhecem em casco e os segundos que amadurecem nas garrafas. Temos então tawnies Colheita e com indicação de idade – 10, 20, 30, 40, 50 e 80 anos. Nesta categoria dos tawnies temos, na base, vinhos tintos que são afinados pelo tempo, muito apaparicados ao longo da vida, com passagens a limpo e correcções de aguardente.

Um trabalho de paciência em que cada produtor procura conservar os vinhos nas melhores condições para que sejam depois lotados na sala de provas. Juntam-se vinhos de várias idades e é a média (não exactamente aritmética) que dará origem a cada um dos tipos, dos 10 aos 80 anos. Por norma, cada casa faz engarrafamentos anuais, procurando que cada edição seja, tanto quanto possível, idêntica à anterior. Os Colheita (sempre datados), são engarrafados aos poucos e vão tendo edições periódicas, à medida dos pedidos do mercado. Foi neste mundo dominado pelos tintos que surgiram, a partir de 2010, os primeiros brancos com indicação de idade. No fundo conseguiu-se assim valorizar os imensos stocks de vinhos brancos que as empresas tinham e que, por lei, não poderiam entrar nos tawnies com indicação de idade.

É verdade que a empresa Taylor’s reclama para si o ter colocado um primeiro branco seco no mercado em 1934 e algumas casas, como a Barros Almeida e Niepoort mantinham algumas relíquias nos seus portefólios, como um branco Velho da Barros com cerca de 60 anos (a idade não vinha indicado na garrafa). A Ramos Pinto esteve arredada deste novo mundo dos vinhos do Porto brancos com indicação de idade e este, aqui sugerido, vai ser filho único. Segundo informação do produtor, não há intenção de alargar a categoria e, assim, apenas o 20 anos branco será produzido. A Ramos Pinto tem mantido, de resto, um low-profile nos tawnies com indicação de idade onde apenas se contam o 10, 20 e 30 anos. Mais velhos do que isso não constam também do cardápio.

No caso dos rubis, sobressaem os Vintage e Late Bottled Vintage (LBV), ambos obrigatoriamente datados. Nos anos em que não há declaração de vintage os vinhos são conduzidos para cascos onde iniciarão a sua lenta evolução, que os vai fazer mudar de “família”, deixam de ser rubis e passam a tawnies. Há que não esquecer que os rubis, ao evoluírem em garrafa, conservam a tonalidade vermelha por muito tempo. E, nos melhores exemplos, mesmo com 100 anos de idade, o vintage velho ainda conserva uma (ainda que ténue) tonalidade avermelhada. Foi o que confirmei com um vintage Taylor’s 1900 que provei há duas décadas. Já o Porto LBV é, sem dúvida, uma das mais interessantes categorias do Porto.

Consagrada na lei em 1970, é hoje um tipo de vinho que recolhe muito adeptos: engarrafado, por norma, 4 anos após a vindima, passível de ser consumido novo mas com 40 anos de vida pela frente, é bom e tem preço convidativo. Recordo um LBV 1969 provado no ano passado e um longínquo 1964 (Burmester) que, apesar de tonalidade quase rosada, dava muito prazer a beber. Também a Ramos Pinto editou um LBV 1927, de enorme categoria. Além dos vintages, é assim verdade que os LBV também amadurecem com nobreza.

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Quinta de S. Salvador da Torre branco 2024
Região: Vinho Verde
Produtor: Granvinhos
Casta: Loureiro
Enologia: Anselmo Mendes
PVP: €9,90
A propriedade, com solar do séc. XVII, tem 30 ha de vinhas na zona de Viana do Castelo. O portefólio inclui um vinho de lote de Loureiro com Alvarinho e um outro Loureiro de parcela.
Dica: fermentado e estagiado em inox, é um Verde seco, de graduação moderada. Um Loureiro muito atractivo.

Falcoaria Colheita Tardia branco 2018
Região: DOC DoTejo
Produtor: Casal Branco
Castas: Viognier e Fernão Pires
Enologia: Joana Silva Lopes/Manuel Lobo
PVP: €32
Vinhas em solos arenosos, a parcela de Viognier tem 15 anos a outra tem 70. A zona, Almeirim, é dominada pela presença da Fernão Pires, a emblemática casta do Tejo.
Dica: bem carregado na cor, são as notas de uvas em passa que mais se destacam, com elegância. Austero mas doce na boca, um toque de vinagrinho assenta-lhe bem. Perfeito para uma terrina de foie-gras.

Ramos Pinto Porto branco 20 anos
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Castas: várias
Enologia: Ana Rosas
PVP: €90
As uvas têm uma ligeira maceração pelicular e estagiam em cascos de várias dimensões. Existe stock para futuros engarrafamentos, conforme os pedidos do mercado.
Dica: âmbar carregado na cor, aroma de frutos em calda, caramelo e amêndoas. Muito rico e concentrado na boca mas com boa frescura. Para queijos secos ou, talvez melhor, para consumir a solo.

This Post Has 0 Comments

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top
Search