A propósito dos vintages Symington A família Symington fez a apresentação formal dos Porto vintages…

Do Loire para o mundo
Sauvignon Blanc, a casta que todos querem
Decorreu há poucas semanas um concurso de vinhos subordinado ao tema Sauvignon Blanc (ao pronunciar, omita o c final). Teve lugar na Croácia, numa pequena cidade ao norte, bem perto da fronteira da Eslovénia e Hungria. A organização – Concurso Mundial de Bruxelas – além do grande concurso de brancos e tintos que este ano terá lugar na Arménia, também organiza outros concursos paralelos: este, de Sauvignon Blanc, um só dedicado a rosés, um só de espumantes e o quarto certame de destilados e vinhos doces. Quando em tempos estavam todos os tipos num mesmo evento, as provas eram uma via sacra…
Três dias seguidos só a provar Sauvignon Blanc pode parecer um esforço titânico mas, na verdade, há muita variedade de estilos e isso permite que se provem numa manhã cerca de 40 amostras sem que se perceba que estamos sempre a falar da mesma casta. A Sauvignon Blanc é uma das variedades mais apreciadas a nível mundial. Nesse aspecto rivaliza com a Chardonnay, mas ganha-lhe em impacto olfactivo, conseguindo brilhar só por si, sem ajuda extra. Tal não acontece com a Chardonnay, mais ambígua, e que requer mais acompanhamento, seja de madeira, seja de mão do enólogo. Neste certame Portugal, entre 5 vinhos que estavam a concurso, teve 3 medalhas: uma de ouro (Vicentino 2023) e duas de prata (Adega Mãe 2024) e marca Pingo Doce (em lote com Verdelho 2025).
Pode parecer pouco mas a casta tem por cá uma moderada expressão, sobretudo como vinho varietal: maior presença no sul do país, como varietal ou em lote com outras, como Fernão Pires ou Arinto. Casta estival por excelência, nascida no Loire e em Bordéus, ela é “filha” da Savagnin (variedade do Jura e “mãe” de inúmeras castas) e, por sua vez, foi do seu cruzamento com Cabernet Franc que nasceu a variedade Cabernet Sauvignon. Tudo isso pode parecer complicado mas foram os avanços da genética que conseguiram apurar estas ligações. A casta pode ser antiga; no entanto, o estilo de vinhos que origina é bem moderno: são brancos frescos, ácidos, leves e a pedir sol e praia. Esta é a versão “Novo Mundo” que se impôs nos novos países produtores, com destaque para a Nova Zelândia e Chile: aromas de maracujá, de espargos verdes, pimentos e relva cortada são facilmente identificáveis em prova cega.
O “nosso” medalha de ouro insere-se neste grupo. Depois há um estilo mais “Velho Mundo”, onde encontramos vinhos com mais idade (4 a 5 anos), trabalhados com madeira – fermentação e estágio – gerando brancos mais gordos, mais assentes em fruta madura e menos em vegetais verdes. Este é o estilo que encontramos no Loire, na Áustria (Steiermark) também em Bordéus, aqui muitas vezes em associação com outras castas, como Sémillon ou Muscadelle (não confundir com Moscatel). No concurso deste ano, tal como no do ano passado, brilharam mais alto estes Sauvignon Blanc mais maduros, com origem na Áustria mas também em Itália (Tirol). Entre nós temos um excelente exemplar desta versão mais gorda e complexa da : é o Sauvignon Blanc da Quinta de Cidrô (Real Companhia Velha). São dois perfis bem diferenciados e são vinhos para dois momentos diferentes; embora o meu gosto fique preso nesta versão mais cheia, reconheço que são vinhos mais exigentes em termos de pairing e que, por isso, não substituem os outros Sauvignon Blanc. Na minha mesa de júri voltaram a passar os vinhos austríacos e italianos, sempre com grande destaque em termos de classificações. Foi fácil? Foi, mas só para quem gosta…
Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)
Espumante Soalheiro Blanc de Noirs 2020
Região: IG Minho
Produtor: Soalheiro
Casta: Pinot Noir
Enologia: Asun Carballo
PVP: €25
É um branco de uvas tintas. Estagiou em cave durante 42 meses. A casta é especialmente vocacionada para espumantes, tal como acontece em Champagne.
Dica: muito delicado no aroma e sabor, a pedir canapés de peixes fumados, como entrada, ou marisco pouco cozinhado, à mesa. Grande aposta!
Coelheiros branco 2025
Região: Alentejo
Produtor: Tapada de Coelheiros
Castas: Arinto e Antão Vaz
Enologia: Luís Patrão
PVP: €11
Estas castas formam o lote mais “clássico” do Alentejo. Vinho bio, mosto parcialmente fermentado em barrica. Aposta na agricultura regenerativa.
Dica: muito boas notas verdes, citrinos e vegetais. Muito equilibrado e, por isso, polivalente à mesa.
Paço dos Infantes Reserva tinto 2020
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Enolea – Herdade da Lisboa
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon
Enologia: António Selas
PVP: €25
Vinificação em lagares e estágio de um ano em barricas novas.
Dica: Denso na cor, aroma num perfil clássico, concentrado, sem cedências a modas. Macio no palato, polido, e a dar muito boa prova de boca. Belo tinto.
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