Passando pela Austrália, claro À sombra da fama que os seus vinhos foram adquirindo, a…
Vinhos do Palácio
É sempre bom lembrar
Desde o 25 de Abril já foram vários os Presidentes a República e, como sabemos, nem todos tinham especial apreço pelo tema vínico. Só para citar alguns exemplos, Jorge Sampaio provava mas não ligava, Cavaco é o que se sabe e Marcelo foi evoluindo, de especialista de águas como se reclamava em tempos, até um atento provador de quase tudo o que havia nas feiras e nas festas. O actual Presidente sugere ser o primeiro que tem um vínculo mais óbvio ao assunto, estando ligado a produção de um vinho da Beira Interior, Serra P. de seu nome.
Para já não parece fácil de adquirir, pelo menos em Lisboa, havendo, ao que consta, alguma presença numa garrafeira de Famalicão e na Bairrada. Mas não é esse o assunto que aqui interessa. Mais importante é saber se podemos ficar tranquilos quanto à forma como o assunto Vinhos será tratado em Belém. Não se trata de questionar o que o Presidente bebe quando lá está, mas sim o que serve quando tem convidados. Não vale a pena esconder, porque o assunto é de relevância óbvia e deve ter, no Palácio, a atenção dos responsáveis do assunto.
Podemos aprender com os franceses, cujo empenho na promoção se estende também à Air France, e com os ingleses, uma vez que a Coroa – num país que até há pouco tempo não produzia vinhos – sempre teve uma grande preocupação em servir produtos de grande qualidade. Às vezes até qualidade a mais para o convidado… Como aconteceu no último grande banquete que o rei Carlos ofereceu a Trump (logo ele que não bebe…) e, qual dor de alma, se varreram muitas e muitas garrafas de Porto vintage Warre’s, imagine-se, do ano mítico de 1945. Fosse eu que trabalhasse na Symington, dizia logo que, ah e tal, pedimos desculpa, mas não temos que chegue para 160 convidados. O azar foi que Trump é o 45º presidente e isso foi motivo bastante. Aliás todos os vinhos servidos, do champanhe ao Cognac e whisky, estavam carregados de simbolismo histórico. E nós pra’ qui sempre a argumentar que há vinhos que se devem provar/beber em petit comité…
Os vinhos da Presidência, como se diz, devem ser usados como “ferramenta da diplomacia”; é o país que se espelha à mesa por aquilo que serve, não só o bolinho de bacalhau e o pastel de nata, mas também o vinho. É assim de toda a conveniência que o tema não seja deixado ao Deus dará. É preciso que haja quem tome conta da cave, quem saiba servir e quem tenha noções de pairing. Quando digo servir refiro aspectos fundamentais, como sejam, os vinhos que precisam de ser deixados na posição vertical (como Vinho da Madeira, Moscatel ou Porto Tawny), e os que devem ser conservados deitados; quais os que terão de ser obrigatoriamente decantados (tintos com alguns anos, moscatéis e Porto Vintage); quais os brancos que se deverão servir com marisco, quais os que vão bem com bacalhau, quais os vinhos para o queijo Serra da Estrela ou Azeitão, e por aí fora. Uma vez que na TAP o assunto vinhos perdeu acuidade e o foco não está na montra que deveria ser mas no custo para a empresa dos vinhos que serve, resta-nos a Presidência e aí – impossibilitada que está a hipótese de servir a 150 convidados um Vintage Noval Nacional 63 – há que ter presente que é o país que está em observação.
Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)
Pancas Reserva branco 2025
Região: Reg. Lisboa
Produtor: Quinta de Pancas
Castas: Chardonnay, Arinto e Vital
Enologia: equipa dirigida por David Baverstock
PVP: €10
A quinta em Alenquer é centenária e, nos anos 80, era uma referência absoluta da zona de Lisboa. Após várias vicissitudes, foi adquirida pela Winestone.
Dica: a combinação das castas resulta na perfeição, o branco é gordo mas muito fresco. Guloso, polido, a pedir pratos de bom tempero.
Ameztoy & Almeida Vinha da Beringueira tinto 2023
Região: Douro
Produtor: Ameztoy & Almeida
Castas: mistura de castas em vinha velha
Enologia: Ameztoy & Almeida
PVP: €37
Vinhas em Foz Côa, o lote (de sete castas) inclui raridades como Casculho, Mourisco de Semente e Tinta Pomar.
Dica: vivo na cor e no lado sanguíneo das castas, sem madeira que perturbe. Um tinto cheio de personalidade, telúrico, original e muito gastronómico.
Quinta de Cidrô branco 2024
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Casta: Gouveio
Enologia: Jorge Moreira
PVP: €22
A quinta fica em S. João da Pesqueira. Aqui nascem vinhos de castas nacionais mas também de outrasd de fora, como Chardonnay, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. Deste fizeram-se 17 000 garrafas.
Dica: frutado citrino e com algumas ervas secas, leve especiaria. Bom volume de boca, um branco cheio, pedindo, por exemplo, um peixe assado no forno ou coelho estufado. Bem atractivo.
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