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A Touriga do nosso contentamento

E para todos os gostos…

Realizou-se no início deste mês de Maio o concurso anual de vinhos portugueses, promovido pela Viniportugal. Este, agora na 12ª edição, é o mais importante certame feito entre portas que apenas inclui vinhos portugueses. Foram 1300 as amostras enviadas pelos produtores e, seguindo as regras da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o número de medalhas atribuir é muito limitado, tornando mais exigente e profissional o trabalho dos jurados, onde se incluíam 24 estrangeiros. Foram distribuídas as seguintes medalhas: 33 de Grande Ouro, 65 de Ouro e 258 de Prata. Este concurso tem ainda um “factor extra” que credibiliza as medalhas, nomeadamente as de Grande Ouro e ouro: concluídas as provas, que duram 3 dias, um outro painel – Grande Júri, composto por provadores convidados –  volta a provar os ouros para certificar a classificação e escolher os melhores em prova em sete categorias: branco varietal e branco de lote, tinto varietal e de lote, espumante, licoroso e o Melhor do Concurso, no caso, o Quinta do Crasto Touriga Nacional 2020 que selecciono esta semana. Ouro e Grande Ouro dão acesso às provas no estrangeiro promovidas pela Viniportugal. A lista completa dos premiados está em: https://concursovinhosdeportugal.pt/.

A Touriga Nacional é casta maleável e com ela tudo se pode fazer: rosé cada vez mais frequente entre nós, vinhos elegantes e com pouca maceração ou tintos muito robustos e com muito carácter, como é o caso do tinto de hoje. A casta, renascida nos anos 80/90 e hoje já distribuída por todo o país, é a menina dos olhos, a casta de sonho, como já foi afirmado por um enólogo que com ela trabalhou. A qualidade que apresenta até já fez com que fosse admitida nos novos encepamentos de Bordéus para fazer face às alterações climáticas. No caso dos vinhos do Crasto, a Touriga Nacional tem uma expressão especial; não é o único varietal, por aqui também anda a Tinta Roriz (que é um tinto notabilíssimo) mas a Touriga tende a ser a mais aplaudida. O mínimo que se pode dizer é que é um tinto que não deixa ninguém indiferente, pela estrutura que tem, pelo volume, pelas camadas de sabor que vão surgindo na boca. O estilo recorda-me alguns tintos da Califórnia que têm um perfil semelhante mas para nós com a vantagem de, em muitos casos, custarem 10 vezes menos do que os de lá.

É verdade que a moderna tendência dos tintos se afasta deste modelo; hoje estão a ter sucesso os vinhos mais abertos de cor, menos macerados, menos alcoólicos e mais fáceis de beber mas…acho que merece aplauso quem, apesar das modas, não abdica do perfil que criou e no qual acredita. Já vimos atitudes semelhantes noutras regiões do país, como os vinhos de Castelão de António Saramago, em Setúbal.

Costuma dizer-se que o Dão é a região onde a casta expressa melhor o seu lado mais elegante, mais floral sobressaindo em muitos casos as notas de violetas, citrinos de bergamota e uma elegância de boca muito atractiva. Creio que é verdade mas, como disse, há vários modelos que podem ser seguidos. Confesso que não tenho um preferido, até porque em função do vinho que uso para acompanhar a refeição, escolho um prato, ora mais temperado e estruturado para o Crasto, ora mais leve onde posso perfeitamente encaixar as tourigas mais elegantes de Álvaro Castro (Qta. da Pellada), por exemplo. Creio que é a isto que se chama plasticidade.

Sugestões da semana:      

(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Coelheiros branco 2024

Região: Alentejo

Produtor: Tapada de Coelheiros

Casta: Arinto e Antão Vaz

Enologia: Luis Patrão

PVP: €11

É uma das mais clássicas combinações do Alentejo. O mosto fermentou parcialmente em barrica e o restante em inox. Foram produzidas 21 000 garrafas. Na garrafa apenas se indica Arinto.

Dica: fruta citrina e notas verdes no aroma, resulta com grande harmonia de boca, o que o sugere para pratos leves e frescos de Verão.

Valle Pradinhos Tinta Gorda Reserva tinto 2023

Região: Trás-os-Montes

Produtor: Maria Antónia Pinto Azevedo

Casta: Tinta Gorda

Enologia: Rui Cunha

PVP: €27

A casta é antiga na região, muito produtiva e gerando vinhos com pouca cor. Este vem de vinhas velhas com mais de 60 anos. A casta é também conhecida em Espanha como Juan Garcia.

Dica: jovem e vibrante no aroma, fino e leve na boca, um tinto da nova geração, seguramente polivalente à mesa com pratos pouco temperados.

Quinta do Crasto Touriga Nacional tinto 2020

Região: Douro

Produtor: Quinta do Crasto

Casta: Touriga Nacional

Enologia: Manuel Lobo

PVP: €60

Começou a ser produzido ainda nos anos 90 e é um tinto emblemático da casa. Tem um estilo muito próprio e até há quem não aprecie. Não é o nosso caso.

Dica: denso, concentrado, rico, com madeira presente mas a envolver o conjunto. No mínimo é impressionante. Um daqueles vinhos que se enviariam, à confiança, para provas cegas em qualquer parte do mundo.

 

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