E acerta o passo com 2031 no horizonte A frase publicitária da famosa marca de…

As hortas do Douro e o palco da glória
A magia das duas letrinhas
Decorreu há duas semanas a 11ª edição do Tomate Coração de Boi, certame que procura promover aquela variedade de tomate, bem conhecido no Douro. A alma do projecto é a empresa Greengrape e Celeste Pereira quem dá a cara pela organização do evento. Valorizar o tomate numa perspectiva holística é o objectivo, num âmbito mais alargado de produtos agrícolas da região que, além do vinho e do azeite, se poderiam alargar às cebolas e laranjas, por exemplo. Conseguir o reconhecimento e apoio das forças vivas da região, levar mais e mais empresas e quintas do Douro a criarem a sua horta e juntar, em torno de um produto, toda esta gente que não raramente anda de costas voltadas, é obra.
Pode chegar mesmo a ser desesperante. Celeste que o diga. Depois de já se ter realizado em várias quintas, este ano foi na Quinta do Mourão que o certame teve lugar e envolveu concurso para a eleição do melhor exemplar (este ano ganhou a Quinta de Ventozelo), houve muita gastronomia com experiências inovadoras, desde o pão e gelado de tomate. Muitos chefes, cozinha de lume de chão, receituário tradicional e acolhimento de luxo da equipa da quinta do Mourão (actualmente pertencente à Falua), de tudo houve um pouco. Alguns dos vinhos do Porto mais antigos da quinta foram também dados à prova. E, creio, chegou a altura de as instituições irem além do “muito giro, isto tem potencial” para criarem condições para o desenvolvimento do projecto.
Já foi notícia na imprensa mas não quero deixar de reafirmar aqui o quanto tem de relevo para Portugal, o primeiro título de Master of Wine (MW) conseguido por Tiago Macena, que se tornou assim membro do Instituto dos Masters of Wine (IMW). Já desde o ano passado era previsível este desfecho, quando Tiago conseguiu ultrapassar o obstáculo das últimas provas onde se tem de falar sobre os vinhos em prova cega, com erros admissíveis e outros inadmissíveis. Conhecemos vários portugueses que chegaram até esta fase e depois… claudicaram!
O curso é tão difícil, tão caro e demora tanto tempo que a desistência está sempre no horizonte. Tiago foi à luta e, com interrupções pelo meio, foi a partir de 2018 que o empenho foi total; e não se trata só de provas cegas, é preciso saber muito, com inglês fluente, sobre viticultura, enologia, produção, negócio, ou seja, tudo o que gira à volta do vinho. Agora foram sete os novos MW, após a entrega e aprovação de um trabalho/tese sobre tema à escolha. Em 2026 totalizam-se 11 novos MW (com 4 já aprovados em Fevereiro). Se soubermos que no curso 2025/26 havia 320 estudantes de 46 países, percebemos melhor a dificuldade inerente e o mérito acrescido de Tiago Macena. A sua dissertação foi sobre o Dão e a casta Encruzado. Portugal e Hungria são dois estreantes, juntando-se aos 31 países que têm MW.
Este título foi criado em 1953 e desde então foram 427 os que obtiveram o título. O Brasil também tem o seu MW, Dirceu Viana, residente em Londres e que nos visita com frequência. Ouvi-lo contar a forma como conseguiu superar as dificuldades e o custo familiar que as duas letrinhas lhe custaram é, no mínimo, desanimador. Como em muitos outros cursos, este título, que em breve outro português irá ter (falaremos em tempo sobre ele) não assegura nem opiniões definitivas nem certezas absolutas ao seu detentor. O bom-senso e o bom-gosto não perdem acuidade. Isso, a História e a experiência ensinam, uns têm e outros não…
Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)
Três Bagos branco 2025
Região: Regional Duriense
Produtor: Lavradores de Feitoria
Casta: Sauvignon Blanc
Enologia: Paulo Ruão
PVP: €12
A empresa junta 15 lavradores que em 2000 se reuniram para que as suas uvas fossem usadas em vinhos da empresa. O portefólio é bem diversificado. A uvas deste branco vêm da zona envolvente do palácio de Mateus.
Dica: a casta mostra-se muito expressiva, com notas de pimento verde, espargos e relva cortada. Muito fresco na boca, um branco estival com muitos adeptos entre os consumidores.
Mamoré de Borba tinto 2023
Região: Alentejo
Produtor: Sovibor
Castas: Alicante Bouschet, Syrah e Castelão
Enologia: António Ventura
PVP: €7
Vinhas na região de Borba. Este tinto foi, após a vinificação, parcialmente estagiado em balseiro de carvalho.
Dica: muito afinado no perfil, mostrando um bom equilíbrio entre a fruta madura e a madeira. Resulta com inegável sentido gastronómico e clara polivalência à mesa. Excelente para o preço.
Quinta de São Simão da Aguieira branco 2025
Região: Dão
Produtor: Soc. Vinhos Borges
Casta: Encruzado
Enologia: Fábio Maravilha
PVP: €11,20
Esta quinta corresponde à maior mancha vitícola da região, com 74 ha. A renovação feita na adega (2019) permite agora um trabalho de maior precisão, de cada parcela da propriedade.
Dica: muita pureza de fruta, acidez escondida mas perfeita, notável equilíbrio de conjunto. Tudo isto a preço muito convidativo.
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