
Já reparou nas novidades?
Esta é a época das festas vínicas
Tudo (re)começou em Setembro e não tem parado até agora. Estamos na época alta em que todos os produtores querem mostrar as suas novidades. Sucedem-se eventos, provas, visitas, viagens, tudo a sugerir uma grande excitação mas a verdade é que é preciso tempo para escrever, não se pode passar a vida em almoços. É também claro que, numa época em que o vinho enfrenta tantos problemas, com as vendas difíceis e as cobranças ainda mais difíceis, percebe-se perfeitamente a intenção dos produtores em querer mostrar o que de bom andam a fazer. E é muito. Não faltam bons vinhos, produtos originais e vinhos que recuperam castas perdidas e/ou retomam práticas antigas. Neste espaço do Expresso é difícil dar conta de tanto evento e de tantos projectos e, por vezes, são as sugestões da semana que vão dando conta do que vai saindo. Hoje escolhi três, entre muitos outros que seriam possíveis.
Barão do Hospital é nome que remete para a história: para a ordem dos Hospitalários a quem a propriedade foi concedida e para um dos antigos donos que ganhou o título de Barão. Recentemente foi adquirida pela empresa Falua. Fica na zona de Monção e Melgaço e, ali, reina a Alvarinho, cuja área vai passar de 10 para 20 hectares; além desta casta emblemática, a empresa dispõe de 10 ha de Loureiro no vale do Lima e 1 ha da antiga casta Padeiro de Basto, que usa para fazer espumante. As novidades agora apresentadas vão de um branco de Loureiro e um Alvarinho, ambos de 2023, um Collection Trium Tempus Blend, que junta vinhos de 2021, 22 e 23 e um Collection Trium Modus Blend, no caso juntando vinhos feitos em três tipos de depósito diferente. Os dois Collection são vendidos em conjunto, uma caixa com uma garrafa de cada (€110 a caixa). Os vinhos são de altíssimo nível e, a propósito, voltaremos em breve a falar dos vinhos que juntam várias colheitas num lote.
O Monte da Penha pertence à família Fino, fica no sopé da serra de São Mamede, em Portalegre, ali bem ao lado da Tapada do Chaves, propriedade que já pertenceu à família. São vinhos clássicos da região, anteriores à “febre da serra” que levou a que muitas empresas e produtores ali procurassem vinhas. Por aqui sempre vigorou o princípio antigo da mistura de castas na vinha. No entanto, se quiséssemos eleger as que melhor representam o estilo de tintos desta zona, seríamos levados a eleger a Trincadeira e Aragonez, acrescidas depois pela Grand Noir, uma casta de tempero muito apreciada aqui e na zona de Reguengos. O portefólio do Monte da Penha é muito alargado, há disponibilidade de muitas colheitas no mercado e são vinhos que merecem atenção: vivos, frescos e mostram uma incrível capacidade de resistir bem ao tempo: olhamos para um 2012 ou 15 e parece um vinho da última colheita. E, claro, com muito boa aptidão gastronómica.
De Bordéus chega-nos, via o importador, um dos nomes sonantes da região, uma propriedade cheia de história e que soube reinventar-se, apresentando hoje um leque enorme de opções aos visitantes, assim como um portefólio diverso, com os brancos em geral mais caros que os tintos. Há muitos anos que conheço a marca e neste vinho encontramos a pureza do lote clássico das duas principais castas da região, com finura e extrema elegância. E o preço, ainda que elevado, envergonha alguns produtores portugueses que acham que, sem história e passado, se podem arrogar o direito a vender os seus topos de gama a preços de ourivesaria. Bem podiam ganhar juízo.
Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)
Barão do Hospital Alvarinho branco 2023
Região: Vinho Verde Monção e Melgaço
Produtor: Falua
Casta: Alvarinho
Enologia: Antonina Barbosa
PVP: €15
O mosto teve uma maceração pelicular e, após a fermentação, o vinho estagiou um ano sobre borras; 15% estagiou em barrica usada. Feitas 20 000 garrafas.
Dica: fermenta em inox, fica um ano sobre borras e 15% do vinho estagia em barrica usada. Grande equilíbrio e frescura, um Alvarinho de referência e uma aposta seguríssima.
Monte da Penha Terroir Reserva tinto 2015
Região: Reg. Alentejano
Produtor: Francisco Fino
Castas: Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet e Moreto
Enologia: Susana Esteban
PVP: €15,50
Selecção das melhores barricas deste ano, sempre barricas usadas. Um bom exemplo dos resultados que se podem obter no uso de madeira já com muito uso. Foram feitas 10 000 garrafas.
Dica: muito sóbrio no aroma, fino, discreto na fruta madura, leve nota de drops. Um tinto com muito carácter que aposta (quase) tudo na elegância. E tem anos pela frente.
Château Smith-Haut Lafite tinto 2020
Região: Bordéus
Distribuidor em Portugal: Luxury Drinks
Castas maioritárias: Cabernet Sauvignon (65%) e Merlot (30%)
PVP: €157,50
Fermentação em balseiros e estágio de 18 meses em barrica (60% nova). Um segundo período de estágio, após passagem a limpo, varia conforme a colheita.
Dica: prazer puro num tinto que revela um superior trabalho de barricas porque permite que as castas se expressem, envolvendo-as. Aveludado mas enérgico. Classe pura.
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