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O Expresso nasceu com este vinho

Nos anos 70 custou 145$00. É só fazer as contas…

É verdade, F P Balsemão confirmou que foi com um Serradayres que se celebrou o primeiro número do Expresso. Poderia ter sido outro, uma vez que algumas das marcas de vinho hoje existentes, e conhecidas de todos, já existiam então. Para acompanhar peixe poder-se-ia ter bebido brancos como Gaeiras, Planalto, Dão Terras Altas, Deu-la-Deu ou Porta dos Cavaleiros, marcas sempre presentes na restauração. No caso dos tintos, havia mais escolha, tudo numa gama com qualidade mas acessível no preço: Vinha Grande – já então conhecido como «Barca Velha dos pobres» -, Evel, Grantom, Romeira, Quinta do Convento, Periquita, Pasmados ou Quinta da Aguieira. Na planície alentejana, além das adegas cooperativas, a escolha era pouca mas o Mouchão, José de Sousa Rosado Fernandes ou Tapada do Chaves seriam também boas opções. O mesmo se passava em relação à Bairrada em que as Caves – Aliança, S. João e muitas outras – dominavam o panorama vínico, engarrafando vinhos de várias regiões, como os célebres Garrafeira que, por norma, resultavam de lote de Dão com Bairrada. As marcas eram então mais importantes que as regiões, uma vez que poucas tinham regras instituídas: o Douro, o Alentejo, a Bairrada, Setúbal, Estremadura, Ribatejo ou Algarve não eram regiões demarcadas e às casas produtoras assistia o direito de misturar vinhos sem que tal viesse sequer indicado no rótulo e vender marcas sem informar a origem. Quem não se lembra dos vinhos com siglas enigmáticas da José Maria da Fonseca? De onde eram, ninguém sabia. Era sobretudo a marca que tinha valor. Assim, ter tintos Garrafeira Carvalho, Ribeiro & Ferreira, Caves Dom Teodósio, Francisco Ribeiro, Serradayres ou C. Vinhas era sinal de bom gosto e de disponibilidade financeira, embora mesmo à época, os vinhos não fossem caros. Foi bem mais tarde, em 78, que comprei o meu primeiro Barca Velha, que então me custou 220$00, quando o meu limite de gastos em vinho «parava» nos 50$00! Outros tempos…
Não sei do que se falou durante o tal «almoço» mas seguramente ninguém perdeu tempo a falar das castas dos vinhos, das barricas em que tinham estagiado, dos enólogos que tinham feito o vinho, das leveduras ou dos sulfitos. Infelizmente, o mais provável é que, no final, tenham bebido whisky em vez de Vinho do Porto, bebida então mal-amada pelos consumidores. Todos tinham uma garrafa em casa mas poucos as abriam. Vintage? Deve ser um vinho com 20 anos! Tawny? O nome é giro mas ninguém sabe o que significa e por aí fora. É claro que o vinho (e ainda bem) não nasceu com o Expresso, já havia alguma escolha. No entanto, a falta de informação sobre o assunto, nomeadamente na imprensa, o fraco conhecimento dos consumidores sobre o que bebiam e a pouca importância que se dava ao vinho, ajudavam à generalização do jargão vulgar, mas mais típico de tasca: o bom vinho é o copo cheio; se não houver vinho bebe-se branco; vinho, quanto mais velho melhor; o bom tinto tem de aquecer na lareira! Foi longa a caminhada mas 50 anos ainda não foram suficientes. Há muito trabalhinho por fazer.

Sugestões da semana:
(Os preços foram indicados pelos produtores)

Monte Branco branco 2020
Região: Reg. Alentejano
Produtor: Luis V. Louro
Castas: Arinto, Rabigato, Esgana Cão e Galego Dourado
Enologia: Luis Louro/Inês Capão
PVP: €39
O branco é um lote de vinhos com fermentações diferenciadas, seguindo-se um estágio de 10 meses em barricas de 600 litros (de 1º e 2º ano). Graduação moderada de 12,5% de álcool. 2400 garrafas produzidas.
Dica: expressivo na fruta madura, com boa presença da madeira, bom volume e estrutura. Muito bem conseguido. A beber a cerca de 12º.

Quinta da Costa das Aguaneiras tinto 2018
Região: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Francesa
Enologia: Paulo Ruão
PVP: €22
Tem origem em Gouvinhas, um dos vales mais quentes do Douro. Feito em lagar com pisa, estagiou depois em carvalho novo por um ano.
Dica: a presença da Touriga Nacional é evidente no aroma, com citrinos e florais típicos. Muito polido e elegante, temos tinto apto a uma gastronomia de temperos pouco puxados.

Quinta da Côrte Porto Colheita 2014
Região: Douro
Produtor: Pacheco & Irmãos
Castas: várias
Enologia: Marta Casanova
PVP: €45
Com este Colheita, a Quinta da Côrte estreia-se nesta categoria. Dispõe de 25 ha de vinha, dos quais 12 de vinha velha. A intenção é, a partir de agora, fazer Porto Colheita todos os anos.
Dica: ainda com tons avermelhados, tem notas de fruta em compota, figos e mel, tudo muito polido e atractivo. Muito elegante na boca, bom em qualquer ocasião. Sirva ligeiramente refrescado.

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