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Do bio ao bom-senso

Tudo por um ambiente com futuro

As preocupações com o ambiente, com a poluição excessiva, com o consumo desenfreado e contra a cultura do desperdício, parecem ter vindo para ficar. Naturalmente que estamos todos preocupados com as minas de lítio mas nem nos passa pela cabeça deixar de ter aparelhos eléctricos que usam baterias de lítio e também tendemos a esquecer que somos grandes produtores de pasta de papel e que para isso os eucaliptos são indispensáveis. Neste balanço entre os desejos e as práticas acabamos por entrar frequentemente em contradição. No caso da agricultura, e da vinha em particular, isso também acontece. A vinha, como empresa a céu aberto, está sujeita a todas as agruras do clima, a inúmeros problemas de doenças e vírus, dos míldios aos oídios, às traças, à podridão e vários insectos que estragam tudo à passagem, da cicadela à cigarrinha verde e dos pássaros, como os estorninhos que, consta, são grandes apreciadores de uvas maduras. Depois vêm as geadas, as secas e as chuvas fora de época que deitam tudo a perder. Para alguns destes problemas vão-se encontrando soluções, digamos, inócuas e que não prejudicam o ambiente, como a solução para as geadas aquecendo o ar na vinha com fogueiras ou até para a traça com armadilhas com feromonas que desorientam o traço: ao cheiro da traça, o traço perde-se em armadilhas onde, além dos aromas das feromonas também há placas com um produto resinoso que lhes é fatal. Dali não saem. Percebe-se assim melhor que ao viticultor não resta outra opção que não seja passar vezes sem conta pela vinha para perceber o que aconteceu, prevenir o que irá acontecer e intervir para não deitar tudo a perder. Não se pense que tudo isto acontece ao mesmo tempo. Com cuidado e tratamentos atempados é possível colher boas uvas mas tal é sempre mais fácil em climas mais secos e um enorme drama em climas húmidos e chuvosos. Cuidar de uma vinha no Minho é, assim, incomparavelmente mais difícil do que no Douro Superior, por exemplo. A forma de abordar todas estas questões tem variado muito ao longo do tempo. Não há tantos anos assim, em regiões famosas como a Borgonha, a intervenção foi brutal, dos pesticidas aos herbicidas altamente tóxicos, de tudo se usou e com isso (anos 70 do século passado) iam-se matando os solos e a bio-diversidade. A recuperação ambiental foi levada a cabo por vários produtores com outra visão do mundo. Os novos produtores, mais conscientes, optaram, e bem, por práticas amigas do ambiente e foi-se generalizado o conceito de agricultura bio onde se limitaram, até onde foi possível, o uso de químicos. Da Borgonha o movimento foi-se estendendo a outras regiões da França e também chegou a Portugal. É claro que uma agricultura bio é bem mais exigente em termos de mão-de-obra e, também por essa razão, é tendencialmente mais praticada por pequenos produtores. Mas também grandes empresas, como o Esporão, já se reclamam de uma agricultura bio nas centenas de hectares que gerem. É possível? É, mas não é fácil. E vale a pena? Pela preservação do ambiente, sem qualquer dúvida embora nem sempre seja fácil distinguir, em prova cega, um vinho bio de outro convencional.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

Quinta de Ventozelo Vinha da Serra tinto 2019
Região: Douro
Produtor: Quinta de Ventozelo
Casta: Touriga Franca
PVP: €31
Enologia: José Manuel Sousa Soares
Esta casta é a espinha dorsal dos vinhos do Douro e do Porto. Este é um óptimo exemplar que mostra a riqueza de aromas e a estrutura que a região pode conferir.
Dica: tem fruta madura, muito vigor e bons taninos, é um tinto com potencial de vida em cave.

Quinta do Vallado Reserva branco 2020
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Castas: Rabigato, Gouveio e Arinto
PVP: €20
Enologia: Francisco Ferreira/Francisco Olazabal
O mosto fermentou em barrica, 30% nova. Aí estagiou por 7 meses, tendo originado 13 130 garrafas e 305 magnuns.
Dica: este branco é sempre uma aposta segura, com um balanço perfeito entre fruta branca e leves notas da barrica (de muito boa qualidade). É normal viver bem uns bons anos em cave. Por isso, nada de pressas.

Quinta de S. Sebastião tinto 2019
Região: Arruda (Lisboa)
Produtor: Quinta de S. Sebastião
Castas: Touriga Nacional/Tinta Roriz
PVP: €12
Enologia: Filipe Sevinate Pinto
A região tende a gerar vinhos com boa frescura e elegância, com é este o caso. As castas não são da região mas adaptaram-se perfeitamente.
Dica: intensamente gastronómico, polido de taninos, em grande forma para ser consumido desde já.

 

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