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Generosos para terminar (naturalmente…)

Os folhetos do Expresso terminam com doçuras

É hoje publicado o último dos folhetos Boa Cama Boa Mesa que o Expresso tem publicado, dedicado sobretudo aos generosos. É normal que venha no fim já que nós, apreciadores, costumamos consumir aquele tipo de vinhos no final da refeição. Debaixo desta designação de generosos cabe uma grande variedade de vinhos que, com alguma imaginação e saber, podem ser consumidos em vários momentos da refeição. Podemos começar com o Porto branco com água tónica e limão e já temos bebida de entrada. Não aprecia água tónica? Não há problema, coloque num copo um pouco de Porto Reserva branco bem fresco e junte apenas uma casquinha de laranja ou tangerina (sem a parte branca). A surpresa vai ser enorme, como sempre foi quando fiz a experiência em cursos de provas. Ainda antes de chegar ao final da refeição tem várias hipóteses de ligação curiosa com os generosos. Uma salada de vegetais (crus ou levemente cozinhados) com lâminas de peito de pato fumado ligam perfeitamente com um Madeira Verdelho. Pode parecer estranho mas só provando… é ver os olhos a arregalarem-se. Uma ligação que começa a ter cada vez mais seguidores é uma terrina de foie gras com um Porto tawny 20 anos, aqui substituindo a clássica ligação do foie com o Sauternes. Numa manobra radical, mas com grande impacto junto dos convivas, pode servir um Porto LBV bem novo (de preferência não filtrado) a acompanhar um steak au poivre sobretudo se for naquela versão em que o bife está totalmente coberto com grãos de pimenta; aqui a ligação com um tinto é impossível dado o «peso» da pimenta e o LBV aguenta-se muito bem. Chegando à hora dos queijos temos duas hipóteses: um LBV se forem queijos de meia cura ou Porto Vintage se for um queijo azul (Stilton ou Roquefort). Pode terminar depois em beleza com doces e (sempre bem frescos) Porto tawny, um Carcavelos, um Madeira Bual a acompanhar um bolo de mel ou um Moscatel de Setúbal para doces com laranja. Vinhos especiais, raros e muito caros (cada vez há mais) não precisam de qualquer acompanhamento, devem ser servidos no final e (digo eu…) bebidos a dedal. É dessa forma que não nos esquecemos deles. O suplemento foca ainda as novas tendências do vinho, vinhos que recuperam técnicas antigas ou que, estando atentos aos novos tempos, procuram técnicas menos interventivas e mais amigas do ambiente. No meio de tantas variáveis, encontra-se de tudo, desde vinhos atentos ao ambiente e que procuram uma viticultura orgânica, até outros que «achando» que o vinho se faz por si, acabam por gerar vinhos defeituosos, intencionalmente defeituosos. Neste sentido pode dizer-se que se trata de modas, que terão o seu público e os seus adeptos mas que nada trazem de valor para a qualidade dos vinhos. Eu, quando assisto a um concerto, não digo que foi brilhante se a orquestra tocou desafinada ou não digo que um livro é muito bom se está cheio de erros ortográficos ou gramaticais. Podemos até compreender o esforço dos músicos mas não voltaremos amanhã para novo concerto. Com certos vinhos é a mesma coisa: prova-se por curiosidade mas não voltamos lá.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

Quinta de Cidrô Boal branco 2016
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Casta: Boal
Enologia: Jorge Moreira
PVP: €16
As uvas têm origem na quinta do mesmo nome, uma propriedade emblemática da empresa. A Boal também pode usar o nome Sémillon (casta francesa da região de Sauternes) porque se trata da mesma variedade.
Dica: não olhe para a idade e delicie-se com este branco, intensamente gastronómico.

Quinta da Leda tinto 2018
Região: Douro
Produtor: Sogrape Vinhos
Casta: Touriga Nacional, Touriga Francesa e um Pouco de Tinto Cão e Tinta Roriz.
Enologia: equipa dirigida por Luis Sottomayor
PVP: €40
Desta propriedade no Douro Superior têm saído vinhos que cumprem na perfeição os requisitos da excelência: muita qualidade, consistência, rigor vitícola e enológico. Aposta seguríssima para o consumidor.
Dica: Este vinho tem sempre uma óptima evolução em cave. Mas a perfeição, essa, está lá desde já e por isso há que prová-lo também em novo.

Freixo Reserva branco 2018
Região: Reg. Alentejano
Produtor: Herdade do Freixo
Casta: Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc
Enologia: Diogo Lopes
PVP: €12,90
As vinhas ficam perto da Serra d’Ossa (Redondo). O mosto fermentou em barrica. A empresa tem agora um conjunto de vinhos de muita qualidade, entre brancos e tintos.
Dica: este branco surpreende pela enorme frescura e perfeita ligação entre a fruta e as notas da madeira. Muito bem na relação preço/prazer.

 

 

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