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Originalidade estival é connosco

Só que até se lavarem os cestos…

Não há ciência que nos valha e por mais que digamos que somos capazes e que temos meios, o certo é que o clima é demasiado incerto. Se se tratasse de um humano dizíamos que não era para ser levado a sério mas, com o clima, não temos outro remédio que não seja prevenir, aguardar e, para os que acreditam…rezar! Este verão de 20121 não podia ser mais original: com a Europa e a Califórnia a arderem em calor, nós tivemos um estio muito ameno, com temperaturas moderadas e poucos incêndios. Estas são as boas notícias. Como já vimos, um verão de temperaturas moderadas é um autêntico Éden sobretudo para as uvas brancas e este 2021 promete ser, em várias regiões, um grande ano de brancos. São muitos os produtores que já vindimaram as uvas brancas e nas cubas os mostos já fermentam. No caso dos tintos temos de tudo, desde vindimas acabadas até maturações muito atrasadas, como é o caso da Bairrada em que, há uma semana, muitas uvas apenas tinham um grau provável de 10%, o que quer dizer que, se não vier agora calor, estaremos em Outubro ainda a vindimar a Baga. No Dão já se fala no possível (inevitável?) uso de mosto concentrado que possa compensar a baixa graduação das uvas. É algo permitido por lei mas desnecessário nos anos de calor estival. No Douro, a chuva que ocorreu até agora fez parar as maturações e baixar o grau e, por isso, todos têm de aguardar para ver o que é possível fazer. No Cima Corgo – o coração da região do Douro – choveu até 14 deste mês mais do que é habitual em todo o mês de Setembro. Como ainda vamos a meio, os receios são fundados sobretudo no que respeita a uvas para Vinho do Porto, que se querem maduras e com bom potencial alcoólico. Naturalmente que os que acham que os tintos podem ter 10 ou 11º no Douro e ainda serem expressão do terroir, já fizeram as vindimas há que tempos. A ideia de fazer vinho com uvas pouco maduras e acidez muito alta tem uma consequência imediata: vinhos desequilibrados. O que acontece nestes tempos que correm é que há quem entenda que o desequilíbrio é que é o sinal da modernidade e que fazer vinhos de bom balanço e longevidade assegurada é…uma chatice! Mas os que acreditam que cada região tem particularidades próprias e que não há regras gerais que comandem da mesma forma os destinos das uvas, esses, estão agora preocupados com o que vai acontecer. Também falei com um produtor da margem esquerda do Douro que, em virtude do granizo, perdeu cerca de 70% da produção e o que escapou nem dá para cobrir o benefício – quantidade de mosto a ser beneficiado para Vinho do Porto – e que está relacionada com a área de vinha e a classificação da parcela. Este produtor não me pareceu muito preocupado porque, tal como é habitual na região, venderá o cartão sem as respectivas uvas, prática habitual no Douro. Como diriam os Gatos Fedorentos, imitando Marcelo, «É proibido, mas pode-se fazer…mas é proibido…mas pode-se fazer! Até ao fim da vindima vamos andar neste desatino: olhar para o céu, fazer análises de mosto, ler as previsões atmosféricas, acreditar que «pode ser que eu escape» e outras lamúrias habituais. Diz quem anda metido nisto que é como a droga; entra-se e depois é difícil sair…

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

Poças Fora da Série Vinho da Roga tinto 2019
Região: Douro
Produtor: Manoel Poças Junior
Castas: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz
Enologia: André Pimentel Barbosa
PVP: €18
Fora da Série é uma colecção de vinhos experimentais e normalmente produzidos em pequena quantidade. Este tem origem em vinhas do Douro Superior. Intencionalmente pouco extraído, um tinto experimental.
Dica: muito aberto na cor, muito jovem de aroma, fresco, com notas de framboesa, groselha e notas vegetais secas. Elegante, fino, ligeiro, para beber levemente refrescado.

Quinta do Monte d’Oiro Reserva tinto 2011
Região: Lisboa
Produtor: José Bento dos Santos
Castas: Syrah
Enologia: Graça Gonçalves
PVP: €50
Este vinho foi propositadamente vendido 10 anos após a colheita. As garrafas estão todas numeradas nesta edição limitada.
Dica: ambiente de grande delicadeza de fruta e taninos, está agora no seu melhor momento de prova. Um grande Syrah.

Mingorra Reserva branco 2020
Região: Reg. Alentejano
Produtor: H. Uva
Castas: Antão Vaz, Alvarinho e Viognier
Enologia: Pedro Hipólito
PVP: €12
Esta combinação de castas tem cada vez mais adeptos no Alentejo e é verdade que funciona muito bem. Fruta madura mas sem perder a elegância.
Dica: bom corpo, muito gastronómico, um branco amigo da mesa.

 

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