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Rosés para verão…e não só!

Estes vinhos estão na moda. São leves, são secos e alegram uma mesa estival ou a conversa à mesa da esplanada. A escolha é agora imensa e há para todos os gostos e todas as bolsas.

João Paulo Martins

Chegar hoje a um jantar de amigos com uma garrafa magnum de um vinho rosé já não é assunto que mereça nota mas isso decorre das mudanças dos hábitos dos consumidores. Nos últimos anos, digamos vinte, o vinho rosé começou a entrar nas escolhas dos enófilos. Para isso foi evidente a mudança do perfil destes vinhos que se afastaram do estilo português mais tradicional: ficaram mais atractivos na cor, agora com tonalidades salmão, perderam o gás e viram o açúcar residual desaparecer ou ter uma presença muito mais discreta. O rosé passou a ser parte integrante do portefólio de muitos produtores, muitas vezes como complemento mas também como exigência de importadores e distribuidores. E foi assim que chegámos à situação actual: produz-se em todas as regiões do continente e ilhas, a qualidade geral é enorme. Os vinhos cumprem também os ditames da moda: em geral têm pouca graduação, pouca cor, pouco ou nenhum açúcar e uma acidez muito viva que lhes confere imensa frescura. Hoje são por isso perfeitos companheiros para pratos de peixe ou marisco, podem ser um bom aperitivo ou companheiros de esplanada. É verdade que algumas variedades de uva se prestam melhor que outras para este fim e por isso não há que admirar a proliferação, por exemplo, de rosés de Touriga Nacional ou Pinot Noir. Sendo possíveis de encontrar em qualquer região, a verdade é que no Minho, na Bairrada, Lisboa, Setúbal e costa alentejana temos muitas escolhas possíveis em virtude da proximidade do mar que gera vinhos mais frescos e ácidos. Mas, claro, também nas terras altas do Douro ou da Beira vamos ter rosés, por vezes feitos de Rufete, de Bastardo ou Mourisco mas também de Tinta Roriz ou, no Algarve e ilhas, de Tinta Negra.
Um vinho que não requer momentos especiais, que não precisa de ser decantado ou servido com muitos cuidados e que, se bebido bem fresco, pode ser alegria de qualquer prato. É assim o rosé em Portugal. Está bem e recomenda-se. Só tem de deixar para trás alguns preconceitos e ideias feitas, manias que herdámos mas que já não servem para nada.

Como se faz um rosé?

Um rosé pode ser um vinho de vinha ou um vinho de adega. Se pertencer ao primeiro grupo, o rosé é exigente: prefere uvas que naturalmente sejam pouco tintureiras, dá-se melhor com uvas que, mesmo colhidas cedo, possam manter um aroma vivo e frutado e deverá ser elaborado com variedades com boa acidez natural. Está assim mais focado em zonas costeiras ou de altitude que originam uvas com mais acidez. Dito isto, pode perceber-se que não é tão fácil como à primeira vista possa parecer. O produtor tem de vindimar cedo e depois na adega tudo se deve processar com muito cuidado: prensagem muito, muito suave para evitar que o mosto fique com muita cor, fermentação com temperatura controlada para manter os aromas, engarrafamento cedo para colocação rápida no mercado. Se pertencer ao segundo grupo – vinho de adega – o rosé pode resultar de uma «sangria de cuba», ou seja, quando o mosto destinado a vinho tinto começa a fermentar com as películas retira-se parte do líquido da cuba para fermentar à parte. Já ganhou alguma cor e depois fermenta separadamente, como se fosse um branco. Por norma (mas não deverá ser encarado como regra), os rosés de adega tendem a apresentar um teor alcoólico mais elevado, o que faz deles vinhos da mesa e não de esplanada.
O rosé pode ainda resultar da fermentação conjunta de uvas brancas e tintas – adquirindo aí o nome de palhete – mas, ao contrário do que se possa pensar, não resulta da mistura de vinho branco com vinho tinto. O rosé pode ainda, numa versão mais sofisticada, menos comercial e normalmente mais cara, resultar de vinhos fermentados ou estagiados em barrica. Estes são por excelência os vinhos da mesa, a consumir como se de um branco encorpado se tratasse.
Embora o rosé seja um vinho que se quer jovem, a moderna tecnologia de adega permite prolongar a vida do vinho rosado muito para além do ano que se segue à colheita. Ainda não há muito tempo orientei uma prova de vinhos rosados em que, intencionalmente, coloquei um Redoma rosé (Douro, Niepoort) com 15 anos que teve um enorme sucesso. É verdade que a grande maioria beneficia com o consumo em jovem mas isso está longe de ser uma regra. Cada rosé é um rosé.

As nossas escolhas

Resolvemos reunir os vinhos seleccionados em três grupos de preços. É uma das opções possíveis mas poderia ser outra a ordenação: por casta, por região, por idade, por teor de açúcar. De facto, o país já produz tal quantidade que autoriza esta variedade de escolhas. Há rosés que são de difícil acesso (porque produzidos em muito pequena quantidade) e por isso procurámos aqui juntar um conjunto de marcas que estão mais acessíveis no mercado. Para orientação dos consumidores indicamos o preço (apenas indicativo) e a graduação alcoólica.

Nota: todos são vinhos secos ou apenas com leve presença de açúcar residual

Até10 €:

€8,99
Vinha Grande
Douro rosé 2020
Sogrape Vinhos
Feito com Touriga Nacional. Tonalidade rosa clara, aroma delicado e fino, combinando notas florais e outras vegetais. Expressivo na prova de boca, bem fresco e harmonioso é um rosé polivalente, podendo acompanhar os mais variados pratos e/ou ser parceiro de acepipes de peixes fumados. (12%)

€6,40
Alento
Alentejo rosé 2020
Luis B. V. Louro
Feito com Aragonez e Touriga Nacional. Muito boa cor salmonada e aroma perfeito a frutos vermelhos como groselha e framboesa. Delicado, fino, bem conseguido. É um rosé com corpo, creio que pensado sobretudo para a mesa ou para acepipes de peixes fumados. Um grande campeão, se atendermos à relação qualidade/preço. (12,5%)

€9,50
Covela
Reg. Minho Touriga Nacional rosé 2020
Lima & Smith
Tem origem na quinta que fica no extremo da região, quando ao fundo já se avista o Douro. Tonalidade rosa muito clara, aroma delicado mas bem assente em notas de fruta vermelha e algumas notas vegetais, em perfeito diálogo. Muito expressivo na prova de boca, com a acidez a contribuir para a frescura do conjunto. Sucesso garantido à mesa. (12,5%)

€5,50
Fonte do Ouro
Dão rosé 2020
Soc. Agr. Boas Quintas
O lote inclui Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro, três das castas mais emblemáticas da região. Salmonado na cor, aroma a salientar um lado mais evidente de vegetal seco, todo ele muito fino e elegante. Muito boa prova de boca a dizer-nos que temos rosé para a esplanada ou para aperitivo, mesmo que sem qualquer acompanhamento. Um grande campeão a preço muito convidativo. (13%)

De €10 a €20

€12
Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Douro rosé 2020
Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Tem Tinta Roriz, Touriga Francesa e Tinta Francisca. Rosa esbatido na cor, muito bem na fruta que o aroma sugere, tudo fino e elegante. A mesma sensação na boca mas o álcool, sendo elevado, aconselha a que seja consumido à mesa com peixe ou marisco. Muito bom conjunto que atrai logo na apresentação. (13,5%)

€12
Tears of Anima
Vinho rosé 2019
José Mota Capitão
Feito com Sangiovese, clássica casta italiana. O vinho apresenta uma cor levemente alaranjada e um aroma onde as notas de pólvora e fósforo queimado lhe conferem um lado mais sério e onde a fruta se queda escondida. Este perfil resulta depois bem à mesa e por isso é para lá que o devemos apontar. Não tem Denominação de Origem mas é feito na região de Setúbal. (12,5%)

€13,50
Colinas
Bairrada rosé 2019
Quinta Colinas de São Lourenço
A casta aqui presente é a Pinot Noir. Esta casta é também muito usada para fazer espumantes. Como originalmente tem pouca cor é também aconselhada para rosés. Muito expressivo no aroma, com fruta citrina e um lado vegetal, tudo harmonioso. Perfeita prova de boca, autorizando aqui o consumo a solo. Persistente e afirmativo. (13%)

€12
Manoella
Douro Rosé 2020
Wine & Soul
Feito com Touriga Nacional. Salmonado muito bonito na cor, aroma muito suave, a delicadeza da fruta e das notas florais dão-lhe um carácter. Muito boa a proporção na boca, a acidez está a dar-lhe muita vida, resulta intenso, fresco e polivalente à mesa. Uma aposta segura, um rosé modelar. (12,5%)

Mais de €20

€21,90
Giz Vinhas Velhas
Bairrada rosé 2019
Giz by Luis Gomes
Feito com Baga. A casta resulta muito expressiva logo no aroma, é um rosé atraente e cativante, sempre num registo elegante. Mostra-se também muito bem na boca, envolvente e macio. Perfeito para acepipes ou carnes frias em salada. Um rosé cheio de personalidade. (12%)

€24

Ravasqueira Premium
Reg. Alentejano rosé 2018
Soc. Agr. D. Diniz
Feito com Touriga Nacional. Alaranjado na cor, este rosé teve 6 meses de estágio em barricas de carvalho. Rico, complexo, pouco falador e reservado é um vinho para a mesa, seguramente para peixes temperados mas também para pratos de carne de aves, por exemplo. Muito original. (13%)

€23,50
Quinta do Monte d’ Oiro
Reg. Lisboa Reserva rosé 2019
José Bento dos Santos
Agricultura bio; feito a partir da casta Syrah, a variedade emblemática que trouxe a fama a esta propriedade. Mostra uma bonita cor rosa velho, um rosé complexo e encorpado, com óptima acidez, perfeito para acompanhar acepipes não muito temperados ou peixe em sashimi. (12%)

€24
Phenomena
Reg. Duriense rosé 2020
Quanta Terra
Varietal da casta Pinot Noir, uma variedade francesa que resulta por norma muito bem quando feita em rosé. Muito ligeira cor salmonada, aroma muito fino, com traços vegetais e de fruta fresca, com uma excelente prova de boca, cheia, com fruta madura mas com uma graduação ponderada que o aconselha para aperitivo. Requintado. (12%)

 

 

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