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Sub-regiões com identidade

 Uma discussão a promover

Quase todas as Denominações de Origem (DO), que sempre nos habituámos a chamar «regiões demarcadas», incluem várias sub-regiões. Mesmo as mais antigas, como a dos Vinhos Verdes, que foi criada pela Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908, já contemplava as sub-regiões de Monção, Lima, Amarante, Basto e Braga; este número foi, entretanto, alargado. Esta prática foi uma constante nas demarcações que se fizeram nos finais do séc. XX, sobretudo no novo quadro que foi criado após a entrada na Comunidade Europeia.

Uma sub-região pretende-se que seja um todo com características que a identificam e a distinguem das restantes, seja pelas castas dominantes, seja pelo perfil dos vinhos. Desta forma, a região de Monção, por exemplo, pouco tem a ver com a região de Paiva, de onde trazemos hoje um vinho como sugestão. Da primeira sabemos da valia da casta Alvarinho, da segunda falamos de Arinto e também Loureiro e Avesso. O mesmo acontece noutras regiões sub-divididas, como Lisboa ou Tejo, quando dizemos que a casta Vital é característica de Óbidos ou a Fernão Pires é a casta marcante de Almeirim.

Com tanta diversidade, podemos mesmo perguntar porque estão todas debaixo do mesmo chapéu, ou seja, porque é que Paiva e Monção estão na mesma Denominação de Origem Vinho Verde e porque é que Óbidos está, tal como Alenquer, integrada na região de Lisboa? Este tema motivou discussão acesa aquando da criação das regiões, em finais da década de 80; cada um puxava para seu lado, todos queriam ser mais importantes que o vizinho ou não admitiam que a terra ali ao lado tivesse direitos que a sua não tinha. Gerou-se então uma imensa confusão, tendo-se conseguido chegar a um acordo de cavalheiros mas que foi muitas vezes mal digerido.

Chegou a falar-se em unir a região de Lisboa com a do Tejo mas tal nunca recolheu unanimidade e as duas regiões acabaram separadas. Acordou-se então que em cada região existiriam vinhos DOC e vinhos Regionais; os primeiros mais exigentes e restritivos no que às práticas e às castas diz respeito e, os Regionais, mais abrangentes e tolerantes, ainda que cumprindo alguns preceitos. Mas mesmo estes modelos não foram postos em prática da mesma maneira: no Douro e no Dão quase não há vinhos Regionais, quando abundam no Alentejo e em Lisboa, por exemplo. Como vai ser no futuro? Creio que se deveria caminhar para uma solução pragmática mas que distinguisse as particularidades.

Exemplo? Tudo o que se produz no Alentejo deveria ter a DO Alentejo e, aqui e ali, identificar-se-iam parcelas ou vinhedos que pudessem ostentar um nome próprio, delimitado e reconhecido, com Estremoz ou serra de São Mamede e, na Bairrada, Óis do Bairro ou Cantanhede. Parcelas, vinhas e locais específicos deveriam ser mais reconhecidos pelas suas especificidades. Passámos já a fase da «democracia ampla», temos de caminhar agora no sentido do reconhecimento dos lugares. É passar do macroscópio para a observação in loco, ir do geral ao particular. Os vinhos portugueses só teriam a ganhar mas…o problema são as capelinhas…

 Sugestões da semana:

(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

 Quinta de Cidrô tinto 2016

Região: Reg. Duriense

Produtor: Real Companhia Velha

Castas: Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional

Enologia: Jorge Moreira

PVP: €19

De uma das quintas emblemáticas da empresa, e beneficiando da altitude, um bom diálogo entre uma francesa e uma portuguesa.

Dica: esta ligação de castas é um modelo vencedor, o tinto é de óptimo impacto, muito gastronómico, cheio e também com capacidade para ser guardado. Sucesso garantido.

Coelheiros branco 2020

Região: Alentejo

Produtor: Herdade de Coelheiros

Castas: Arinto (80%) e Antão Vaz

Enologia: Luís Patrão

PVP: €10

A propriedade estende-se por 800 hectares com múltiplas culturas. As vinhas têm certificação de produção sustentável; o mosto é parcialmente fermentado em barrica e tonel. Foram feitas 6 600 garrafas.

Dica: é madura a fruta que se sente no aroma, temos um branco com volume e excelente acidez, o que faz dele, desde já, parceiro perfeito para a mesa.

Consorte branco 2018

Região: Reg. Minho

Produtor: Adega da Vara

Casta: Arinto

Enologia: Rui Cunha/Júlio Teixeira

PVP: €20

Vinhas na zona de Castelo de Paiva. O nome remete para a prensa de vara que data de finais do séc. XIX e que ainda é usada. A fermentação decorreu em barrica.

Dica: as notas da madeira percorrem toda a prova e o branco (de meia-estação) poderá ser excelente parceiro para queijos de pasta mole ou peixes com olho de manteiga. A boa acidez mantém aqui o vinho num registo bem fresco.

 

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