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Um generoso com futuro

E vinho das quintas de Carcavelos

Já foram muitas as quintas da região de Carcavelos onde, desde há séculos, se produzia vinho generoso. Várias também as empresas que comercializavam, com o a Abel Pereira da Fonseca, cujos rótulos aqui reproduzimos. Uma das quintas de referência da região era a Quinta do Barão (ver, nesta edição, texto Vícios); uma outra era a Quinta da Bela Vista mas, aqui, todas as vinhas foram arrancadas por volta de 1969 e o stock – que comportava muitas pipas, algumas delas com uma idade que não andaria longe dos 100 anos – foram depois analisadas e fez-se um lote único. Esse vinho é hoje comercializado pela Comp. Agríc. do Sanguinhal. Uma outra quinta teve algum relevo no final do século passado, a Quinta dos Pesos que pertencia a Manuel Bullosa. Ali plantou vinhas nos anos 80 e teve vinho no mercado nos anos 90. A comercialização terminou com a morte do proprietário (1988) e a última vindima foi em 2004. Os actuais proprietários da quinta dos Pesos, que também têm vinhas no Alentejo e são fornecedores do Esporão, pediram apoio para os engarrafamentos dos vinhos e foi assim que David Baverstock, enólogo do Esporão, fez um lote de vinhos, agora comercializado pela empresa Howards Folly e de que resultaram 4000 garrafas. David confessou que ficou surpreendido com a enorme qualidade (e quantidade) dos vinhos que ali estão em stock, “têm o melhor do Vinho do Porto e da Madeira juntos” e tenciona voltar a fazer novo lote quando este agora em comercialização estiver esgotado no mercado. Há ainda a secreta esperança que os novos proprietários voltem a apostar na vinha, com eventual (se possível) recuperação da vinha velha que tem agora cerca de 40 anos. A partilha da Denominação de Origem (D.O.) entre Oeiras e Cascais fez com que a quinta do Mosteiro de Santa Maria do Mar ainda que colado à quinta do Marquês, já se inclua no concelho de Cascais. Aqui também a Câmara Municipal apostou no plantio de vinha nos terrenos do mosteiro, localizado em Sassoeiros, e será este ano a primeira colheita, orientada pelo enólogo Felipe Sevinate Pinto. Em 2019 plantaram-se três castas brancas: Galego Dourado, Boal Ratinho e Arinto. Foram para já plantados 2,7 ha de vinha mas há intenção, segundo Sevinate Pinto, de alargar o plantio a outras áreas do concelho, quase todo ele inserido dentro da área da Denominação de Origem. Desta vinha “só teremos vinhos no mercado dentro de 4 ou 5 anos”, disse. O futuro passará também pela produção de vinhos brancos secos, nesse caso não D.O. Carcavelos mas sim Regional Lisboa e para já a Estação Agronómica fará, em prestação de serviços, a vinificação e estágio dos vinhos. Também na freguesia de Barcarena um pequeno produtor aqui se instalou com a família e pretende vir a produzir vinho de Carcavelos. Jörg Lewerenz, alemão, vive na Quinta da Corrieira Grande onde já havia uma parcela de vinha que remonta aos anos 80. Dispõe já de terreno para plantar 0,7 ha de vinha. Não é muito mas o importante é continuar a dar vida à região. A fama do generoso já chegou à Madeira onde a empresa William Hinton comercializa Rum estagiado em barricas de Carcavelos. Coisa muito séria, prova feita na ilha há dois anos.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a valores de mercado)

Quinta da Bela Vista
Região: Carcavelos
Gestão do stock existente: Companhia Agrícola do Sanguinhal
PVP: €120 (garrafa de 0,75 l)
Resulta do lote de vinhos velhos existentes na quinta. A média de idade dos vinhos do lote deverá ser cerca de 80 anos. Quando se acabar o stock (10 000 garrafas), a marca morre.
Dica: este é um admirável exemplar do generoso de Carcavelos. Aqui temos uma finura de aromas, uma enorme delicadeza de paladar, com aquele tom Meio-Seco que torna ao vinho tão atractivo. Vale cada cêntimo.

Villa Oeiras Superior 15 anos
Região: Carcavelos
Produtor: Município de Oeiras
Castas: Arinto, Galego Dourado e Ratinho
Enologia: Tiago Correia/Pedro Sá
PVP: €33 (garrafa de 0,75 l)
O stock de barricas inclui muitos tipos diferentes, de variedades de madeira e de tanoarias. Isso obriga a um trabalho de ourivesaria para se chegar a um lote coerente.
Dica: o perfil aromático lembra um Porto branco muito velho, já o lado mais seco leva-nos para um Madeira. Um belo generoso, uma grande surpresa.

Howard’s Folly 1991
Região: Carcavelos
Produtor: Quinta dos Pesos
Colheita: 1991 com 15% de 1992
Responsável pelo lote: David Baverstock
PVP: €50 (garrafa 0,50 l)
Excelente concentração de cor, aroma rico, austero, todo ele resinoso, com notas de ranço e resinas. Também lembra um Madeira.
Dica: muito expressivo na boca, tem volume e grande estrutura, com final muito, muito prolongado. Notável. Sirva refrescado (regra para todos).

 

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