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O Porto com alguns segredos

Neste caso…o vinho

Hoje vamos falar da Quinta do Noval mas o foco vai incidir no Vinho do Porto. O pretexto é o lançamento esta semana de um novo Colheita. Para quem está menos familiarizado com o conceito, a palavra Colheita pode parecer redundante. No entanto, na legislação do Vinho do Porto, o termo tem um significado preciso e a sua utilização num rótulo obedece a regras. Nada de estranhar já que o Vinho do Porto é prolífico neste emaranhado de nomes, conceitos e regras que não facilitam nada a vida aos que pretendem saber um pouco mais sobre esta bebida que tem tanto de nobre como de misteriosa. O Vinho do Porto divide-se basicamente em duas famílias: os tawnies e os ruby, os primeiros são os que envelhecem em casco e que por isso ganham com o tempo os tons acastanhados que conhecemos, e os ruby que, por viverem sobretudo em garrafa, são muito mais avermelhados. Ambos têm perfis e aromas distintos mas, nos melhores casos, ambos podem durar 100 ou mais anos. Naturalmente que muitos não são feitos e pensados para tão longa vida e esses não merecem ser conservados muito tempo em cave. É com frequência que recebo mails de consumidores que me enviam fotos de garrafas que têm em casa e que acham que são relíquias. São em geral vinhos correntes, já cansados e sem brilho, e que por isso serão mais bem empregues para temperar um assado do que para beber. Voltemos ao Colheita. Segundo a legislação só pode ostentar este nome um vinho que estagiou pelo menos 7 anos em casco antes do engarrafamento. Nas principais casas que têm Porto Colheita o tempo de espera é por norma superior. Quase que se poderia sugerir que a legislação mudasse de 7 para 10, já que é idade com que costumam ser lançados. As empresas engarrafam pouca quantidade de cada vez – como no caso deste Noval – e estes engarrafamentos podem estender-se por dezenas de anos. A garrafa indica sempre a data do engarrafamento. É assim provável que em 2040 a Noval esteja a colocar mais um pouco do 2007 no mercado, engarrafado nessa altura. Aqui o que sobressai não é a figura do enólogo mas antes do master blender, o cuidador, aquele que vigiou o vinho para que ele se mantivesse com saúde durante os muitos anos que esteve/estará em cave. Sabemos que várias empresas ainda têm o 1937 em casco; percebe-se assim melhor o que acabei de escrever. Este é um vinho de sobremesa que, tanto pode ser consumido a solo (a forma que mais gosto) ou a acompanhar algumas sobremesas não muito doces, como leite-creme ou torta de laranja. A regra que convém sempre seguir é beber o vinho refrescado. E mesmo quando vier para a mesa – pode servir num decanter – é bom que se tenha por perto um balde de gelo para que o vinho se mantenha à temperatura certa. A riqueza aromática destes vinhos faz deles uma caixa de surpresas onde conseguimos sempre descobrir mais e mais aromas. E não há pressa no consumo porque a garrafa viverá, depois de aberta, bons meses sem perder qualidades. E, por fim, atendendo aos inúmeros momentos de prazer que vai proporcionar, pode dizer-se que o preço é muito ajustado.

Sugestões da semana:
(Os preços foram indicados pelo produtor)

Cedro do Noval branco 2020
Região: Douro
Produtor: Quinta do Noval
Castas: Viosinho e Gouveio
Enologia: Carlos Agrellos
PVP: €14,50
A primeira edição deste branco remonta a 2014. O vinho depois de fermentar em inox estagia 6 meses em barricas, das quais 30% são novas.
Dica: fresco mas com volume e estrutura, um branco muito equilibrado e pronto a ser consumido.

Quinta do Noval Reserva tinto 2018
Região: Douro
Produtor: Quinta do Noval
Castas: Touriga Nacional, Touriga Francesa e 15% de vinhas velhas.
Enologia: Carlos Agrellos
PVP: €51
Este é um clássico da casa, agora com novo perfil, mais apto a ser consumido em novo. Totalmente estagiado em barricas, 50% novas.
Dica: robusto mas com perfeito balanço entre todas as componentes. Tinto de luxo, belíssimo representante do Douro, qualquer que seja o palco.

Tawny Port Quinta do Noval Colheita 2007
Região: Douro
Produtor: Quinta do Noval
Castas: várias
Master Blender: Carlos Agrellos
PVP: €52
Desta colheita foram para já disponibilizadas 3000 garrafas para o mercado. As pipas estagiam no Douro em cave climatizada.
Dica: aroma maravilhoso e muito complexo, um prazer para os sentidos que merece ser partilhado com amigos.

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