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À espera do pior?

Se ficarmos de novo em casa, há que estar prevenido

Quando passou a primeira vaga covidiana e as pessoas puderam de novo voltar a fazer a vida normal, houve – dentro de níveis moderados – uma certa corrida às boas lojas de vinhos onde muitos consumidores se apressaram a repor o stock que tinham esgotado por estarem muito tempo em casa. Não foi uma nem duas mas muitas as pessoas que me falaram que o consumo caseiro tinha subido muito e claro, a garrafeira nunca é um poço sem fundo. Soube mesmo de uma garrafeira que chegou a vender €700 de vinho a um só cliente porque… já tinha despachado tudo o que havia na cave. Estes tempos de incerteza levam-nos a pensar que, de facto, é bom ter uma reserva líquida para os momentos difíceis. E como não sabemos bem o que aí vem nada se perde se pensarmos um pouco sobre o que comprar. Vamos então ver o que deverá haver em casa. Começamos pelos espumantes. Podemos ter alguns de boa relação qualidade/preço (já os há bem feitos e bem agradáveis até 10/12€ a garrafa) e depois algumas para momentos especiais; neste caso há que recorrer às marcas clássicas, Murganheira, Vértice, Real Companhia Velha, Alvarinho de Monção/Melgaço e alguns topos de gama da Bairrada. Estarei a ser injusto em relação ao resto do país mas também não se pretende aqui fazer um guia de espumantes. São vinhos de aperitivo, da variedade Bruto, e ligam bem com peixes fumados, ovas de peixe, sashimi ou guacamole. É bom que reserve também alguns brancos de inverno, ou seja, brancos mais maduros, mais cheios, eventualmente com estágio em barrica, e que nunca devem ser consumidos tão frescos como os brancos de verão (um exemplo na selecção desta semana). Muitos produtores já têm no seu portefólio vinhos deste tipo e, actualmente, já existem com preços muito elevados. Creio que entre os €10 e €25 se encontram muito boas escolhas. Aqui a preferência pela região é que vai ditar a compra. Na dúvida informe-se na loja onde se vai abastecer. Estamos a falar de vinhos para pratos de bacalhau, peixe no forno, de cozido à portuguesa (será ousado mas pode funcionar bem) ou peixes com molho gordo, natas ou manteiga. No caso dos tintos, a escolha é enorme e, por norma, é também a partir dos €10 que começam a surgir os tintos que merecem mais atenção da nossa parte: vinhos com estágio em barrica, que têm boa concentração e sempre muito gastronómicos. São sobretudo parceiros para os pratos de carne estufada ou assada no forno, porco, borrego ou bifes. Se a casa não for quente podem ser consumidos à temperatura ambiente (finalmente…!) mas, se for, há que pôr a garrafa à janela para baixar um pouco a temperatura. E para as sobremesas um Porto é sempre uma óptima companhia, como o exemplo que aqui deixo. Para queijos fortes há outras opções (que falarei em próximas crónicas) mas para doces de médio porte (sem exagero de açúcar) um Porto tawny como o Dona Matilde, ou porque não um Moscatel, só pode mesmo alegrar toda a família e fazer-nos esquecer um pouco este ambiente deprimente a que nos obrigam.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a valores de mercado)

Esporão Reserva branco 2019
Região: Alentejo
Produtor: Esporão
Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro
Enologia: Sandra Alves/David Baverstock
PVP: €16,99
Este é um dos grandes clássicos da herdade, a cumprir um objectivo que muitos procuram e poucos conseguem: fazer 231 787 garrafas e vender a um preço bem interessante. Nunca falha e tem muito mais longevidade do que imaginamos. É a primeira edição com certificação BIO, com uma tiragem bem inferior ao habitual, que costuma rondar as 500 000 garrafas.
Dica: com este perfeito equilíbrio entre fruta e madeira, temos um grande companheiro da mesa. Servir a 12º e em copos largos.

Quinta dos Carvalhais tinto 2018
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz
Enologia: Beatriz Cabral de Almeida
PVP: €7,99
O aroma mostra-nos um tinto de grande harmonia, com a fruta madura bem presente mas também com as boas notas de pinheiro que são características da região. Fino e elegante, sem arestas e, por isso, pronto a beber com prazer.
Dica: multifacetado, é tinto de fácil acordo gastronómico, desde que os pratos não sejam muito pesados ou de tempero excessivo.

Porto Quinta Dona Matilde Colheita 2013
Região: Douro
Produtor: Quinta D. Matilde
Castas: vinhas velhas da quinta
Master Blender: Manuel Ângelo Barros
PVP: €34
Os primeiros três anos estagiou em tonel e o restante em pipas de 600 litros. Produção de 3000 garrafas. A quinta está na família Barros desde 1027.
Dica: um vinho de sobremesa que se basta a si próprio, doce mas com nervo, com boa estrutura e a dizer-nos que é perfeita companhia para o serão. Beba ligeiramente refrescado.

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