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Natal atípico, vinhos clássicos

Escolhas cada vez mais difíceis

Anda tudo nervoso por causa do Natal. Com razão, uma vez que os encontros familiares estão em suspenso e dependentes da evolução da pandemia. Aquilo que outrora (no ano passado, lembremo-nos…) eram reuniões alargadas, uma consoada ou um almoço de Natal em que vinham primos afastados que só nesta altura se juntavam aos “núcleos duros” que todas as famílias têm, esses ajuntamentos estão agora em risco. Se o “bicho” persistir em fazer das suas a tal reunião alargada vais transformar-se em múltiplas pequenas reuniões. Coisa sem graça, como está bem de ver, cada um para seu lado. O consumo dos vinhos também se vai alterar. Mas é preciso fazer da crise uma oportunidade e conseguir, assim, que o ambiente fique menos deprimente. Ora repare-se: todos sabemos que o Natal, ao juntar gente com um interesse muito diverso por vinhos, não é por norma o melhor momento para se consumirem os grandes vinhos, aqueles que andámos a guardar religiosamente à espera do tal momento. O peru, acrescente-se, também não merece que com ele se abram garrafas especiais. O país gastronómico, felizmente, não se resume ao peru e sei de muitas famílias por esse país fora onde ele não entra, substituído por outras vitualhas bem mais interessantes. Regressemos aos vinhos. Quando as reuniões eram muito alargadas a regra do bom-senso dizia-nos que deveríamos abrir umas garrafas boas, sobretudo em magnum, mas não as coisas especiais. Quase todos os produtores optam, sobretudo nesta época, por colocar no mercado muitos vinhos em garrafa magnum, mesmo daqueles que no formato normal custam abaixo dos €10. Ora, se as grandes reuniões natalícias se vão transformar em almoços/jantares em petit comité, é então caso para repensar as escolhas vínicas e apontar para patamares mais elevados. É um pouco nesse sentido que vão as escolhas desta semana. No caso do branco, com um preço bem cordato, temos um grande companheiro para pratos de bacalhau e temos a oportunidade de beber um grande clássico do Alentejo; daqui não se esperam devaneios aromáticos venham eles das leveduras ou das barricas mas apenas a robustez, o volume e o carácter que as castas antigas feitas com a moderna tecnologia podem proporcionar. No caso dos tintos seleccionei dois vinhos do Douro mas as escolhas nestes patamares de preços já são em grande quantidade. O que é interessante verificar é que algumas marcas estão a mudar o perfil dos vinhos tintos, tornando-os mais elegantes, mais frescos, menos marcados pela madeira, como o Vesúvio. São tudo grandes notícias mas, infelizmente, nem todos os produtores alinharam nesta nova tendência e os excessos ainda proliferam. O famoso “estilo Robert Parker” durou tanto tempo que parece difícil erradicá-lo. Só duas notas que não é de mais repetir. Os vinhos tintos de bom porte ganham com a decantação e devem ser colocados na varanda ou à janela, sobretudo se forem servidos ao jantar. Esta é a época de ouro da temperatura ambiente para consumo dos tintos. Mas a temperatura exterior, como está bem de ver…

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a valores de mercado)

Tapada do Chaves branco 2018
Região: Alentejo
Produtor: Tapada do Chaves
Castas: várias castas da vinha velha da propriedade
Enologia: Pedro Baptista
PVP: €19
A propriedade fica na serra de São Mamede, onde se podem ainda hoje encontrar as antigas castas que povoaram o Alentejo. As vinhas mais antigas têm mais de 100 anos.
Dica: branco clássico, um excelente exemplar dos antigos (mas bons) brancos do Alentejo. Um vinho de meia-estação, com volume e estrutura.

Quinta do Vesúvio tinto 2018
Região: Douro
Produtor: Symington Family Estates
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional e um apontamento de Tinta Amarela
Enologia: Pedro Correia/Charles Symington
PVP: €55
O vinho fermenta em inox e depois estagia em barricas de carvalho de tamanhos e idades diferentes. A quinta também produz Vinho do Porto Vintage.
Dica: um grande tinto, agora dominado pela elegância, rico e com muita classe. Pode guardar mas deverá sempre provar agora para conhecer o novo estilo.

Burmester Quinta do Arnozelo Grande Reserva tinto 2016
Região: Douro
Produtor: Sogevinus
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Amarela
Enologia: Ricardo Macedo
PVP: €40
A quinta, com 200 ha de área e 100 de vinha, situa-se no Douro Superior. O vinho estagiou 12 meses em barricas de carvalho. Produção limitada a 1250 garrafas.
Dica: muito bom o equilíbrio entre a fruta e a barrica, denso, cheio, balsâmico e com muito carácter. Sedutor na boca, promete bons momentos à mesa.

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