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Barca Velha de regresso

Nova edição do mais icónico vinho tinto português

Decorreu esta semana a apresentação pública da nova edição do Barca Velha, desta vez da colheita de 2011. O local escolhido foi a propriedade que é também o berço das uvas e do vinho, a quinta da Leda, no Douro Superior. Uma pergunta que surge de imediato: porquê este destaque? É um tinto como outros que existem no Douro aos quais não prestamos tamanha homenagem. É verdade, mas isso tem justificações: a raridade do vinho, o seu elevado preço e a fama que adquiriu, quer entre nós quer sobretudo no Brasil e em Angola. De facto, neste século apenas foi editado nos anos 2000, 04, 08 e agora 2011. Pode mesmo dizer-se que na longa história que o vinho já leva – nasceu com a colheita de 1952 , os intervalos recentes não têm sido muito grandes se comparados com o período entre 1966 e 1978 em que não houve qualquer lançamento. Ao todo, e contando já com este 2011, estamos a falar de 20 edições em 68 anos. É um vinho que obedece a um conceito mais do que ser a expressão de uma parcela ou vinha específica. O facto de durante muitos anos ter sido feito na quinta do Vale Meão e agora ser na quinta da Leda diz-nos que o conceito se sobrepõe ao lugar, apesar de ambas serem no Douro Superior. Tive, há já muitos anos, o raro e inédito prazer (nunca proporcionado a quem não é da empresa…) de provar os vinhos que, como dizem os enólogos, estão “no forno” à espera da decisão sobre o epíteto que vão ter: Barca Velha ou Ferreirinha Reserva Especial, uma vez que é no longo processo de evolução em garrafa que a decisão é tomada. Nessa prova entendi o porquê de ser tão grande o tempo de espera entre a data da colheita e o lançamento público do vinho: quando novos estes vinhos são, passe o exagero, “imbebíveis”, excessivamente taninosos e rudes e não dando propriamente prazer a beber. É o tempo que os molda, ora mais, ora menos complexos. Essa deliberação é muito mais segura alguns anos depois da colheita e por isso a decisão resulta das inúmeras provas que se vão fazendo ao longo do tempo de estágio. Este 2011 mereceu aprovação geral e por isso, é Barca Velha. Outro mérito que este vinho tem é a quantidade produzida. No Douro abundam grandes vinhos mas… de uns fazem-se 1000 garrafas (ou menos) outros chegam às 5000. Fazer muito e vender caro é uma conquista e nesta edição vamos ter 30 936 garrafas. Assim sendo, o vinho mais prestigiado e mais caro é também aquele que é produzido em maior quantidade. Um feito notável. Pensado e criado por Fernando Nicolau de Almeida (FNA), continuado por José Maria Soares Franco e actualmente da responsabilidade de Luis Sottomayor (ambos trabalharam com FNA), é um vinho que também gera equívocos: há quem compre para guardar, guardar e guardar à espera de um momento-chave que, quando chega, já o vinho não está nos melhores dias. Mesmo os grandes vinhos também um dia morrem e por isso, pela minha experiência, aconselho a que seja bebido nos 10 anos que se seguem ao lançamento. Estes vinhos roçam sempre a perfeição e temos obrigação de os tratar como obras-primas: os melhores copos que tivermos e temperatura correcta de serviço, na casa do 17º.

Aconselha-se também a decantação prévia porque o longo estágio em garrafa gera depósito. Quanto a preços não me pronuncio, é o mercado que manda mas, à velocidade a que se vende, o preço deve estar certo, apesar de serem várias as centenas de euros que cada garrafa custa. Mas, curiosamente, é um vinho de gostos simples e o pairing com a comida é fácil: uma boa carne grelhada só com sal e um toque de pimenta é quanto basta.

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