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Beber em tempos de angústia

E aproveitar o tempo passado em casa

Na situação em que o país vive pode parecer descabido escrever sobre vinhos, castas, regiões ou temas correlativos. Mais ou menos obrigados a ficar em casa e a evitar os contactos sociais, vamos entrar em letargia e passar horas e horas em frente à TV a consumir séries e filmes Netflix? Até que pode ser mas é capaz de haver coisas mais interessantes ou, para ser mais realista, complementares da “doença” Netflix. Podemos começar por arrumar os livros, seleccionar os que queremos dar/partilhar e puxar para a frente os que vamos querer ler nos próximos tempos. Os livros do tema vinho também são para aqui chamados, alguns deles estarão já desactualizados e não justifica continuarem a ser de leitura quando a investigação não parou e temos hoje, à conta do tio Google, informação actualizada na ponta dos dedos. Fiquemos com as coisas básicas e vamos assim libertar muito espaço nas estantes. Já na garrafeira poderá haver muito trabalhinho e esse merece ser feito com critério. Antes de mais: tem uma listagem dos vinhos da cave? Como é que tem os vinhos guardados? Por regiões, por produtor, por data de colheita? E tem mesmo a certeza que tudo o que lá está ainda merece mais estágio? Há duas semanas provei um champanhe cujos melhores dias passaram há muito. Como a cor era boa resolvi abrir, apesar de estar já muito vinho em falta. Gás já não tinha mas, curiosamente, ainda dava prova e seria mesmo do agrado delirante dos malucos dos champanhes velhos e oxidados, um clube que tem muitos adeptos por esse mundo fora. Verifique o que tem de vinhos com bolhas na garrafeira e parta sempre do princípio que, por segurança, é melhor não conservar estes vinhos por mais de 5 anos. Certifique-se, de seguida, que os vinhos de entrada de gama, ainda que possam originar surpresas, foram pensados para serem consumidos novos e é no estado pueril que serão mais apreciados. Poderão estar a ocupar na garrafeira espaço que poderia ser reservado a outros vinhos. Confirme também que todos os generosos do tipo envelhecidos em casco – Porto tawny, Madeira Moscatel e outros Licorosos – estão em pé e não deitados porque tratando-se de vinhos que já oxidaram não precisam de estar deitados e desta forma não estão sujeitos a estragos provocados pela rolha, sobretudo nos vinhos muito velhos, com décadas ou mesmo mais de um século de vida. Como estamos a caminho da Primavera/Verão consuma agora os chamados brancos de Inverno, mais encorpados e cheios, daqueles que se batem com qualquer prato de bacalhau e muitos pratos de carne. Verifique os tintos mais antigos que tem em cave para evitar que feneçam sem o tratamento adequado. Com mais de 20 anos é mais seguro fixar-se no Dão e Bairrada. Com menos idade, existem bons em todas as regiões. Pensando nas capacidades antivirais do vinho tinto ataque o vírus com um copo por dia. Em tempo de angústia e incerteza, é bom saber que temos amigos (tintos) que não nos falham.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a preços de mercado)

Casal Sta. Maria Chardonnay branco 2018
Região: Reg. Lisboa
Produtor: Adraga
Casta: Chardonnay
Enologia: Jorge Rosa Santos/António Figueiredo
PVP: €20
Situada nas faldas da serra de Sintra a propriedade tem um portefólio alargado onde também se contam os vinhos DOC Colares, em branco e tinto.
Dica: muto fiel à casta, verde e fresco. Um branco com corpo e boa estrutura. Muito bem conseguido.

Quinta do Gradil Viosinho branco 2018
Região: Reg. Lisboa
Produtor: Quinta do Gradil
Casta: Viosinho
Enologia: Tiago Correia
PVP: €10,50
Parcialmente fermentado em barrica usada, resultou dourado na cor, muito expressivo na fruta, com pêssego e alperce seco. Um branco de meia-estação.
Dica: com corpo e muito boa acidez, temos vinho para a mesa para peixes nobres em molho de manteiga ou natas.

Quinta dos Montes Parcela nº 5 tinto 2017
Região: Douro (Baixo Corgo)
Produtor: Isaque Lages de Paiva
Castas: Vinhas velhas com mais de vinte castas misturadas
Enologia: Pedro Sequeira
PVP: €65 (Garrafeira de Campo de Ourique, Lisboa)
As virtudes das vinhas velhas lembram uma orquestra sinfónica onde não há solistas. É o conjunto que funciona e aqui toca-se muito afinado. A parcela nº 5 tem 0,61 hectare.
Dica: concentrado, rico mas muito elegante, um tinto refinado e com grande capacidade de vida em cave. Prove e guarde.

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