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O centro em Sintra

Tem sido assim desde há vários anos

O Bar do Binho é uma garrafeira bem perto do largo onde tudo acontece em Sintra, sobretudo para os apreciadores de travesseiros da Piriquita. Há muitos anos que Paulo Cruz, o animador da garrafeira, leva a efeito o Porto Extravaganza, um conjunto de provas relacionadas com os nossos melhores vinhos generosos. A grande incidência tem sido feita nos vinhos da Madeira e do Porto, não raramente recuando até edições do século XIX, hoje raras, e que têm chegado via algumas colecções particulares ou adquiridas em leilão. É verdade que um vinho muito velho – já muitos foram provados neste certame com mais de 150 anos – tanto pode ser um néctar como pode ser algo muito desinteressante. Todos sabemos que as condições em que a garrafa esteve conservada e sobretudo o estado em que a rolha se encontra são determinantes para a qualidade final. Depois, não há como esquecer, um vinho não chega a velho em estado de graça e perfeito se não era já de si muito bom em novo. Este é um pormenor que muitos consumidores ou não sabem ou tendem a esquecer. Ainda recentemente um amigo me pediu para ir ver a garrafeira que tinha em casa, era do pai, entretanto falecido, e ele não sabia o que tinha. O que lá vi confirmou o que atrás disse: havia de facto várias garrafas de Vinho do Porto mas todas elas das marcas básicas das empresas, ou seja, nunca foram vinhos pensados para a guarda em cave e, por isso, estão a anos de luz de um grande Porto. Rótulos engraçados, adjectivos à maluca (e aqui invento…) Royal Eminence, Her Majesty Choice e outros nomes pseudo-apelativos mas a verdade é que, apesar de velhos, aqueles vinhos hoje pouco prazer darão a beber, isto sem prejuízo de poderem servir para temperar uma carne de forno. Não é isto que tem acontecido em Sintra, aqui são tudo “glórias do passado” e o sucesso repetiu-se no passado fim de semana. Os vinhos foram de facto incríveis e os presentes – há sempre muitos candidatos dispostos a pagar o fee para participar – não dão por mal empregue o que gastaram. É verdade que fica sempre um amargo de boca quando, no fim da prova, se vêem tantos copos ainda com vinho e que acabarão da pior maneira. De qualquer forma posso aqui deixar uma sugestão: use estes restos de Porto ou Madeira para juntar a vinagre. O dito vinagre fica (bem) aromatizado e a acidez baixa um pouco, o que até não é nada mal visto. Qual a proporção? O melhor é ir por tentativa-erro, fazendo ensaios com pequenas quantidades. Pelo que tenho amplamente praticado, creio que 1/4 de vinho para 3/4 de vinagre pode resultar muito bem.
A alternativa seria beber o vinho dos copos todos que temos à frente mas não estou bem certo da condição em que se regressa a casa depois de tal prática. A memória, essa, fica com registo sério e duradouro dos grandes vinhos provados mas…há que fazer a limpeza da (nossa) garrafeira e tirar de lá o que não justifica a guarda.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a preços de mercado)

Marquês de Borba Colheita branco 2019
Região: Alentejo
Produtor: João Portugal Ramos
Castas: Arinto, Antão Vaz e Viognier
Enologia: Equipa dirigida por João Ramos
PVP: €6
Fermenta em inox para preservar os aromas primários da fruta. É assim um branco jovem e é enquanto tal que deve ser apreciado embora possa viver bem uns anos em garrafa. Distribuição alargada, de grandes superfícies a garrafeiras.
Dica: fresco e vivo, será companheiro perfeito para pratos de peixe delicado, ao sal, por exemplo.

Adega Mãe Terroir branco 2016
Região: Lisboa
Produtor: Adega Mãe
Castas: Viosinho, Alvarinho e Arinto
Enologia: Anselmo Mendes/Diogo Lopes
PVP: €40
O mosto fermentou em barrica e aí estagiou por 12 meses. Apenas se produziram 1761 garrafas. E o topo de gama da empresa que tem já um portefólio muito alargado.
Dica: carregado na cor, complexo, gordo, com muito boa acidez. Perfeito para peixes gordos ou queijos de pasta mole. Use corpos largos e temperatura de serviço perto dos 12º.

Monte Velho Altitude tinto 2018
Região: Reg. Alentejano
Produtor: Esporão
Castas: Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet e mistura de castas de vinhas velhas.
Enologia: David Baverstock/Sandra Alves
PVP: €7 (lojas Pingo Doce e Esporão)
As uvas têm origem na serra de São Mamede beneficiando quer da altitude, do clima mais ameno e do solo granítico com algum xisto. Vinificação em inox onde também estagia. Edição limitada.
Dica: aberto na cor, muito exuberante na fruta, um tinto grande amigo da mesa, perigosamente atractivo.

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