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O que faz falta para mudar de patamar?

Será que é mesmo em 2020?

É tema habitual nas conversas entre produtores e, entre os críticos, a pergunta também é recorrente: o que faz falta ao vinho português para ganhar mais visibilidade, mais reconhecimento internacional? Porque é que estamos sempre a ser conotados com vinhos baratos, vulgares e sem história? Este karma que não nos larga parece ser uma never ending story. É verdade que temos vinhos de qualidade boa para os preços que por eles se pede mas vinhos bons e baratos há em todos os países, incluindo a França onde sempre imaginamos que os vinhos se vendem caríssimo. Não é verdade. Uma visita a um supermercado, mesmo em Paris, permite-nos perceber que abaixo dos €10 se compram vinhos bem agradáveis, que acompanham na perfeição uma refeição e que nos podem mesmo dar vontade de comprar de novo. Regiões como o sudoeste francês, o Languedoc e Roussillon, produzem milhões e milhões de litros e podem-se queixar do mesmo que os produtores nacionais: vendem vinho demasiado bom para o preço. A moderna distribuição impôs um pouco por todo o mundo o universo do hard discount, um verdadeiro rolo compressor que leva tudo à frente. Como já muitas vezes escrevi, são os vinhos caros, às vezes até inacessíveis que trazem fama ao país mas para que essa fama seja reconhecida temos de fazer mais. A promoção está muito ligada a Viniportugal e, no caso do Vinho do Porto, ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. Parece-me que aqui todos falham: por um lado a Viniportugal cumpre o programa que para isso foi mandatada pelos produtores – das grandes empresas aos pequenos produtores – e esse programa não parece ser suficiente para os objectivos que o país necessita. Ir ao Oriente fazer umas provas, depois Moscovo e depois aqui e ali pode não ser mais que um gasto sem sentido. Creio que de muito maior utilidade seria chamar cá os agentes que lidam com os nossos vinhos: importadores, distribuidores, wine writers, jornalistas. É que ir a Singapura ou Taiwan falar do Dão ou do Alentejo pode ser como pregar no deserto. Dar a conhecer a realidade in loco, perceber o contexto e a história dos vinhos terá seguramente muito mais impacto. Além disso torna-se obrigatório e imprescindível conservar e aprofundar os contactos com os nossos mercados tradicionais europeus, mercados maduros que queremos manter sem ser ao sabor das ondas. Para isso é preciso ir lá mas também trazer cá quem interessa trazer. Com o Vinho do Porto passa-se algo de semelhante com outra agravante: todos dizem que em Portugal se sabe pouco sobre o Vinho do Porto mas ninguém assume culpas, todos as passam ao vizinho. Basta um pequeno périplo pelos restaurantes do Douro, sobretudo os mais populares, para se perceber o enorme trabalho que está por fazer na própria região onde o vinho é produzido. O vinho que por lá está disponível, os copos, o serviço e a ligação com a comida mostram que alguém está em falta ou se se quiser, ninguém quer saber o que se serve na região. Até quando as empresas vão andar a assobiar para o lado?

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a valores do mercado)

Quinta da Falorca Encruzado Reserva branco 2017
Região: Dão
Produtor: QVE
Casta: Encruzado
Enologia: Pedro Figueiredo/Vines & Wines
PVP: €13,50
Produzido na zona de Silgueiros; fizeram-se 6360 garrafas. Mesmo já com a edição de 2018 no mercado cremos que a casta beneficia com algum tempo de garrafa pelo que será aconselhável consumi-lo a partir de agora.
Dica: ainda com boas notas verdes da fruta citrina, um branco gastronómico e com a acide perfeita.

Casa Burmester Touriga Nacional tinto 2017
Região: Douro
Produtor: Sogevinus
Casta: Touriga Nacional
Enologia: Ricardo Macedo
PVP: €21,90
É um lote de uvas do Cima Corgo e Douro Superior, plantadas em solos xistosos. Após fermentação em inox o vinho estagiou em barricas novas de carvalho.
Dica: desta casta espera-se sempre um perfil com fruta fresca e notas florais. É um tinto muito atraente, mesmo perigosamente atraente.

Cartuxa tinto 2016
Região: Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Castas: Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira
Enologia: Pedro Baptista
PVP: €19
O vinho estagiou 12 meses em barrica e tonel; deste vinho fazem-se em média 300 000 garrafas e tem edição anual. É a marca emblemática do produtor e já existe desde os anos 80 do século passado.
Dica: mais em elegância que em potência temos um clássico alentejano, quente, macio e muito atractivo.

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