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Barca ataca de novo

O nosso vinho mais icónico está de volta

O anúncio, na semana passada, de uma nova edição do tinto Barca Velha (BV) foi notícia com direito a destaque. Porquê? Basicamente por duas razões: ser o mais famoso vinho do Douro que depois, por via da procura, se tornou o nosso tinto mais cotado e caro e não sair todos os anos, tendo tido, desde 1952, apenas (contando com a que vai sair) 20 edições. Associado a este vinho que virou ícone, existe uma característica que é de grande monta: este é o tinto que, no conjunto dos muito caros, é também dos que se produz em maior quantidade. O Douro está (por um lado ainda bem…) cheio de bons vinhos, repleto de vinhos fantásticos, alguns deles de destaque mundial. É uma situação nova que tem vindo a crescer nas últimas duas décadas e que fixou o Douro no mapa das grandes regiões do mundo vinícola. Aplausos. Mas esta euforia, esta “febre” que tocou muitos produtores e os levou a achar que o seu vinho (também icónico) vale €100 ou mais, esta febre, dizia, esconde uma realidade que não podemos esquecer: estes vinhos são produzidos em quantidades homeopáticas que, na verdade, não são negócio a sério; vender mil, duas mil ou três mil garrafas de um vinho fantástico não tem grande expressão. Mais difícil é, e entra aqui o mérito do BV, vender 30 000 garrafas a um preço verdadeiramente caro. Esta equação – como vender muito e caro – abrange muito poucos vinhos portugueses. Falamos do BV, falamos do Pêra-Manca, falamos da Quinta do Vale Meão e estamos aqui com vinhos que, com variações conforme a qualidade da colheita, podem oscilar entre as 20 e 30 000 garrafas. Aqui, para o nosso (pequeno) patamar em que nos colocamos a nível mundial, já estamos a falar de uma grande produção. Refiro o “nosso” patamar porque, se pensarmos em Bordéus e nos châteaux da região, o normal é produzirem entre 180 e 220 000 garrafas do primeiro vinho todos os anos, muitos deles acima de €100 a garrafa. Ali o preço varia conforme a qualidade e notoriedade da colheita e pode oscilar imenso, desde dobrar de uma colheita para outra como baixar para metade. Por cá apenas o Vale Meão tem tido produção anual (curiosamente sem oscilações de preço à bordalesa…), o BV e o Pêra-Manca apenas são editados algumas vezes por década. Vamos ter assim um BV – só disponível em Junho próximo – sobre o qual ainda reside um manto de silêncio quanto ao preço que terá ao público mas, pensando-se que o 2008 se situa agora nos €600, muito dificilmente teremos o 2011, numa primeira fase, abaixo dos €400. São as regras do mercado a funcionar, sendo certo e sabido que quanto mais caro a Sogrape vender, menos campo fica para intermediários especuladores. É pena ser tão caro? É mas também tenho pena que o Patek Philippe seja tão caro e o Aston Martin também e mais não sei quantas coisas que estão fora do raio de acção do meu cartão de crédito. Que a Casa Ferreirinha dará por muito bem empregue o tempo que o teve em cave não tenho quaisquer dúvidas. A fama, essa, demora imenso tempo a forjar e os new kids on the block têm muito que caminhar…

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, correspondem a valores do mercado)

Georges Dubœuf Beaujolais Nouveau 2019
Região: Beaujolais (França)
Produtor: Georges Dubœuf (Import: Ivin)
Casta: Gamay
PVP: €10 (em bons supermercados, garrafeiras e lojas gourmet)
Como é tradição o Beaujolais Nouveau é colocado à venda na 3ª quinta feira de Novembro. Georges Dubœuf é o pai da região, o produtor que mais a promoveu no exterior.
Dica: é um tinto de cor aberta que deve ser bebido à temperatura dos brancos. Fruta vermelha viva, ligeira doçura residual, boa acidez. Conjunto bem arrumado. A conhecer.

Palato do Côa Reserva tinto 2015
Região: Douro (Superior)
Produtor: 5 Bagos Soc. Agr.
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca e Alicante Bouschet
Enologia: Carloto Magalhães
PVP: €20
Vinhas na zona de Muxagata (Foz Côa). A casta Alicante Bouschet (presente nas vinhas velhas do Douro) foi aqui plantada há 11 anos.
Dica: tinto ainda jovem, vigoroso na fruta madura mas com boa tensão, com grande equilíbrio entre acidez e taninos. Excelente para carnes vermelhas.

Nelson Neves Superior tinto 2015
Região: Bairrada
Produtor: Célia Neves
Casta: Merlot
Enologia: Raquel Carvalho
PVP: €7,45
A casta (típica de Bordéus) tem mostrado boa aptidão na Bairrada já que permite ser vindimada antes das chuvas do equinócio. Origina vinhos aromáticos e muito macios.
Dica: muito clássico no aroma, com notas de chocolate, de grafite, de ameixas pretas, levemente balsâmico. Redondo, afinado, gastronómico. Deste, todos vão gostar.

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