skip to Main Content
Menu

O medo do palco

Estar escondido é uma estratégia, dizem eles…

O universo do vinho português não pára de se expandir. Não estamos a produzir mais mas o número de marcas no mercado cresce constantemente. O aumento da área de vinha é muito controlado pelas regras europeias, nomeadamente quanto a novos plantios mas há sempre reconversões, vinhas que são arrancadas e substituídas por novas, transferências de licenças de plantio de uma região para outra. O número de marcas, mesmo sendo muito elevado, não nos deve fazer esquecer que existem muitos rótulos exclusivos de supermercados que, na verdade, são o mesmo vinho que o produtor comercializa com outro nome. E para não ser exactamente igual, pode mudar-se um pouco a composição. Exemplo? Um branco leva 85% de Arinto e 15% de Fernão Pires; ora o produtor pode criar uma marca nova que tenha 80% de Arinto e 20% da outra casta, resultando daí um vinho que, para o comum dos mortais é igual ao outro, mas oficialmente não o é, e pode assim ser vendido em exclusivo para esta ou aquela grande superfície. Proliferam assim marcas que não podem deixar de ser uma enorme confusão para o consumidor que se depara constantemente com novos vinhos de que nunca ouviu falar. E qual deve ser o caminho a seguir para um produtor que quer dar a conhecer o seu vinho? A ver por aquilo que se passa em quase todas as regiões portuguesas, parece que a técnica é: vou ficar aqui sossegado que o meu vinho é tão bom, tão bom, que um dia há-se ser reconhecido como tal. Regiões como a Bairrada, Lisboa, Tejo e Setúbal, Algarve, Beiras, Dão só timidamente acham necessário mostrar-se. É verdade que em todas elas há produtores que trabalham com profissionalismo, que sabem que têm de dar a conhecer o que fazem e que sabem como promover os seus vinhos, mas são uma minoria. O que muitos produtores gostam mesmo é de dizer mal dos vizinhos e dos concorrentes; por isso os bairradinos dizem que o pior da Bairrada são as pessoas, os do Douro, do Alentejo ou do Ribatejo dizem o mesmo: todos contra todos, associações nem pensar “mas quem é que ele se julga para me vir dar palpites”, promoção conjunta “era o mais que faltava” e outros mimos muito típicos do regionalismo e bairrismo de que somos verdadeiros especialistas. E se no Douro, pela específica forma de produção, há vinhos que são produzidos em quantidades minimalistas que não comportam gastos em promoções, há regiões de grandes áreas de vinha que não fazem diferente, quando tinham obrigação disso. E quanto à promoção externa também não estamos bem mas trataremos disso em próximas crónicas. Uma coisa é certa: este modelo não está a resultar e só não vê isso quem acredita que já somos conhecidos por esse mundo fora; não somos e, pelo andar da carruagem, não vamos ser tão cedo. Mas, se calhar, é melhor estar calado e sossegado…fazer ondas para quê? Há um palco para nos mostrarmos mas “ah e tal, sou um tipo discreto, não gosto das luzes”. Pois seja, que de pobres e honrados temos escola feita.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

Soalheiro Granit branco 2018
Região: Monção e Melgaço
Produtor: Soalheiro
Castas: Alvarinho
Enologia: António Luis Cerdeira
PVP: €12
O portefólio deste produtor já abrange uma dezena de marcas. As vinhas estão em Melgaço. É a marca mais antiga deste concelho.
Dica: lado mineral mais evidente, acidez excelente, tudo muito pensado para ser óptimo parceiro dos dias quentes.

Cistus Reserva tinto 2015
Região: Douro
Produtor: Quinta o Vale da Perdiz
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca
Enologia: Manuel Angel Freitas
PVP: €11
A empresa gere seis quintas perfazendo 50 ha em Torre de Moncorvo, no Douro Superior. O vinho teve 17 meses de estágio em madeira.
Dica: ainda marcado pela madeira mas já amaciado no corpo. Um tinto que pode evoluir bem em cave.

Pasmados tinto 2016
Região: Reg. Pen. Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Castas: Syrah, Touriga Nacional e Castelão
Enologia: equipa dirigida por Domingos Soares Franco
PVP: €9,99
É uma marca já clássica da casa, com uma composição de castas que vem mudando ao longo dos anos. Tem 8 meses de estágio em barrica.
Dica: aroma muito completo, com fruta e com madeira no ponto. Macio, envolvente, todo muito capaz para acompanhar pratos de carne grelhada, por exemplo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top
×Close search
Search