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Preparados para tudo

Daqui até à vindima é tempo de incertezas

Para já os lavradores, para além da falta de chuva, não têm muito que se queixar do clima. O ano está a correr sem sobressaltos: após um Inverno seco e de temperaturas amenas, a Primavera trouxe alguma chuva mas sem geadas fortes (um terror para os agricultores) e com tempo seco durante a floração das uvas. Passou assim um dos momentos-chave que podem condicionar a colheita – a chuva durante a floração provoca a queda das flores e consequente quebra brutal na produção; como o tempo esteve seco tudo decorreu sem sobressaltos. Até aqui não há por isso lugar a lamentos. Por outro lado, pouca chuva e fraca humidade são as condições óptimas para uma menor intervenção na vinha; não havendo ataques de míldio e oídio são menos os tratamentos com as vantagens financeiras e ambientais daí decorrentes. Daqui em diante, no entanto, tudo pode acontecer e nos últimos anos, por exemplo, tem havido granizo em Junho; em algumas zonas do Douro (como o vale do Pinhão) atingiu quase o nível de catástrofe. É apenas mais um daqueles acidentes climáticos que não se podem evitar. Para quem for crente, é altura para rezar muito. É verdade que ainda faltam chegar os calores de Verão, esperando-se que não cheguem a atingir os valores do escaldão do ano passado uma vez que não há uvas que resistam a excessos. Mas para os mais optimistas há sempre a esperança que o Verão possa ser ameno e assim reproduza o que aconteceu em 2007 e 2008: foi um estio de temperaturas suaves e isso é “ouro” para as uvas brancas que assim vão, com toda a calma, amadurecendo sem sobressaltos. O resultado (ainda) está aí à vista: alguns brancos de 2008 estão numa forma inacreditável e o Bons Ares – Douro Ramos Pinto – é um exemplo disso. O Verão de temperaturas moderadas é também um bom sinal para tintos, gerando mostos equilibrados e com um teor alcoólico ajuizado, algo que cada vez mais colhe as preferências dos consumidores. Já o que de extraordinário aconteceu em 2018 poderá ser difícil de repetir; refiro-me à vindima sem chuva – um fenómeno raro – uma vez que no equinócio é normal chover; por norma uns (poucos) dias de chuva costumam ser bem-vindos mas, se se prolongar, gera o apodrecimento das uvas. Em 2018 a vindima foi seca, foi possível vindimar com calma, por talhão e pela ordem perfeita da maturação das uvas. Quem não fez bom vinho em 2018 é melhor mudar de ramo. A maior tragédia que ensombra o horizonte não é climática mas humana. A falta de mão-de-obra está a ganhar foros de calamidade e em regiões onde a apanha mecânica não é possível (zonas de montanha) ainda ninguém sabe como se vai resolver a falta de pessoal. A juntar a isto existem, dizem-nos, entraves legais à imigração temporária e estamos assim num impasse em que, por muitas pessoas com quem fale, noto muito mais apreensão que soluções. Já não chegava ser uma empresa a céu aberto, agora ainda falta gente. E subir os salários poderá não ser suficiente para atrair vindimadores.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

Paço de Teixeiró branco 2018
Região: Vinho Verde
Produtor: Montez Champalimaud
Castas: Avesso (80%) e Loureiro
Enologia: Lourenço Charters Monteiro
PVP: €7,50
A propriedade situa-se na zona de transição entre o Verde e o Douro, onde a casta Avesso é dominante. O produtor tem também um varietal dessa casta.
Dica: um branco de grande equilíbrio mas com corpo, perfeito para ameijoas à Bulhão Pato, por exemplo.

Monte Cascas bio branco 2018
Região: Beira Interior
Produtor: Casca Wines
Castas: Síria e Fonte Cal
Enologia: Hélder Cunha
PVP: €6,95
Esta empresa comercializa vinhos de várias regiões sempre com o mesmo nome, existindo também outro conjunto que se chama Cabo da Roca.
Dica: um branco bem sedutor, com grande harmonia de fruta e um inegável sentido gastronómico. Preço muito atractivo.

Villas Boas Reserva tinto 2016
Região: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Castas: Touriga Nacional, Tinto Cão, Touriga Franca e Tinta Roriz
Enologia: Luis Soares Duarte
PVP: €6,80
Este produtor tem várias quintas no Douro Superior. Este tinto teve 9 meses de estágio em barrica.
Dica: muito pureza de fruta, estilo cheio mas polido, sem arestas. A harmonia de boca torna a prova uma prazer.

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