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Da Escócia, pois claro

Um clássico agora renovado

Falar de whisky escocês pode ser tema para longa conversa. Não só há muitos apreciadores com existem outros tantos coleccionadores. Entre as marcas clássicas destacam-se algumas, não só por estarem entre nós há já bastante tempo e serem por isso nomes que encontramos em restaurantes e bares mas também por outras razões que vão além da qualidade do produto. É o caso da marca The Macallan, um ícone das Highlands, uma das regiões escocesas onde mais destilarias existem. Voltando aos coleccionadores, são por vezes verdadeiros alucinados, diria eu, pelo menos a ver pelo que me foi dado observar em Londres. A cena passou-se nos armazéns Harrods, em Londres. Ali, na enorme secção dedicada aos whiskies, encontrei uma colecção de The Macallan dos anos 50, uma garrafa por cada ano. Garrafa normal (para não dizer mesmo, vulgar) sem qualquer embalagem especial, algo que nos habituámos a ver em produtos de luxo, quer nos whiskies quer nos Cognacs e, felizmente, também no sector do Vinho do Porto. Os preços eram caros, por norma superiores a £1000 mas, lá no meio, um deles custava £23 000. Depois noutro local da cidade confirmei que não se tratava de um qualquer erro ou exagero do célebre armazém de Knightsbridge. Era mesmo verdade. O que pode fazer um whisky chegar àquele preço é apenas a procura por parte dos coleccionadores, os tais fanáticos que não querem perder nem por nada uma vertical de The Macallan. Pequenas produções, edições limitadas de um ou dois cascos e temos o cenário pronto para que se veja uma garrafa chegar a estes valores. Esta marca, fundada em 1824, tornou-se também famosa por usar cascos de Xerez para envelhecer os whiskies. A moda pegou a temos agora destilados envelhecidos nos mais variados tipo de madeira usada (Porto, Sauternes ou mesmo châteaux de Bordéus). Com um perfil semelhante aos whiskies escoceses existem ali perto os irlandeses, também grafados como whiskey (estão agora a tratar de repor a fronteira, valha-nos Deus…) e desde Jameson, Bushmills e Midleton há muito para descobrir. Como já em tempos falei nesta coluna, também o Japão, Taiwan e mais recentemente a Índia estão a produzir destilados de altíssimo gabarito. The Macallan inclui-se na categoria de Single Malt, o que quer dizer que o whisky que integra o lote foi totalmente destilado num único local (podendo ter idades diferentes); já o Pure Malt é por norma o lote de whiskies que vêm de diversas destilarias. A empresa veio a Lisboa mostrar os novos elementos do portefólio e fazer uma manobra gastronómica arriscada: acompanhar todos os pratos da refeição com destilados diferentes. Propostas destas costumam fazer-me torcer o nariz mas tenho de reconhecer o mérito do Chef do Ritz – Pascal Meynard – que conseguiu fazer o que não parecia razoável e até com peixe foi possível a combinação! Este 12 anos Double Cask estagiou em dois tipos de madeira diferente (daí o nome), carvalho europeu e carvalho americano, algum dele que foi usado em Xerez. A prática vulgarizou-se e, por exemplo, a Bacalhôa estagia os moscatéis em barricas que vieram precisamente da Escócia. Cooperação europeia, portanto. O resultado é sempre muito interessante. Este The Macallan faz jus à fama, macio mas poderoso, cheio mas com frescura. Um must.

Sugestão da Semana:

The Macallan Double Cask
Região: Highlands (Escócia)
Produtor: The Macallan
Tipo: Single Malt 12 years old
PVP: €70
Dica: pode server com umas gotas de água gelada, o que fará abrir o aroma. Sempre preferível ao gelo. Como long drink junte água tónica, hortelã e pau de canela. Nesse caso com gelo.

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