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Um ícone que regressa

Em 2014 há Pêra-Manca

Alguns vinhos tornam-se verdadeiros objectos de desejo e são procurados avidamente pelos consumidores; de entre eles, uns serão apreciadores outros fazem desses ícones um índice de status social, um factor que diferencia os que podem dos que não podem pagam os preços normalmente muito elevados que atingem. É o caso do Pêra-Manca tinto, agora em nova edição, um dos mais cobiçados vinhos que se produzem entre nós e que, sobretudo no Brasil e em Angola, atingem preços quase demenciais. Também por cá o vinho nunca deixou de ser muito procurado, caro e, em tempos, falsificado. Este último problema foi resolvido com a ajuda da Casa da Moeda que criou um holograma que dificulta, e muito, a fraude. A Fundação Eugénio de Almeida gere hoje um património vitícola que passa dos 1000 ha, com 560 ha de vinha própria, com um portefólio muito diversificado (que inclui também a Tapada do Chaves, em Portalegre) e que se alarga a outras actividades agrícolas, como o olival, criação de gado e, mais recentemente, os frutos secos, já com 140 ha plantados e a produzir, nomeadamente amêndoa. É a água do Alqueva que permite esta actividade agrícola; sem ela e sujeita apenas a culturas de sequeiro, a conversa seria seguramente outra. A palavra sequeiro sugere, de resto, um dos problemas mais graves com que o Alentejo se está a defrontar e que se irá inexoravelmente agravar nos próximos tempos: as alterações climáticas irão trazer para assunto do dia, e por via da seca, uma provável alteração das castas que hoje por ali subsistem à conta da rega; iremos precisar de castas resistentes ao calor e à seca, castas que, plantadas à antiga, tenham criado raízes suficientemente fundas para resistirem à canícula. Enquanto houver água e adubo por perto, até Alvarinho, Pinot Noir e Sauvignon Blanc se podem ali plantar; sem água e com secura extrema seremos então obrigados a repensar o Alentejo e o que por ali andamos a fazer. Mas não foi nem por acaso, nem por clublismo, nem por qualquer atitude de confronto sul/norte que o Alentejo se impôs entre os consumidores: foi pela qualidade dos vinhos, mesmo os de entrada de gama e pela disponibilidade no mercado. E refiro aqui o confronto sul/norte porque “é moda” haver muita gente do norte que diz mal dos vinhos do Alentejo. Porque sim e por outras razões, também elas cheias de profundidade, como seja “os vinhos do Douro são melhores”, ainda que, digo eu, muitos deles se produzam em quantidades homeopáticas que muito raramente chegam ao consumidor. Longe desses temas inócuos, os vinhos da Fundação estão aí a mostrar serviço. Não os há só caros e há mesmo alguns que acompanham os novos ventos, como sejam os vinhos biológicos, os brancos de curtimenta e os vinhos de talha. Já quanto ao preço do Pêra-Manca tinto não há muito a dizer: tem procura e não demorará muito a que ainda aumente de preço. Quando é caro e se vende, o preço está justo. Uns compram, outros não. Mas não é assim com tantas coisas na vida?

Sugestões da semana:
(Os preços foram indicados pelo produtor)

Pêra-Manca branco 2016
Região: Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Castas: Antão Vaz e Arinto
Enologia: Pedro Baptista
PVP: €40
70 000 garrafas. Tem tido edição anual desde que se começou a produzir em 1990. O estilo ganhou elegância sem perder a complexidade e estrutura.
Dica: branco de meia-estação, muito afinado que não deve ser consumido abaixo dos 12º de temperatura.

Pêra-Manca tinto 2014
Região: Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Castas: Trincadeira e Aragonez
Enologia: Pedro Baptista
PVP: €220
20 000 garrafas produzidas. Mantém-se fiel às duas castas desde sempre com percentagens a variarem conforme o clima e produção. PVP de ourivesaria.
Dica: um grande tinto, rico, poderoso mas sempre (e cada vez) mais elegante. Pronto a beber mas sem receio da cave.

Cartuxa tinto 2015
Região: Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Castas: Aragonez, Alicante Bouschet e Trincadeira
Enologia: Pedro Baptista
PVP: €19
Deste tinto fizeram-se 461 259 garrafas. Esta é a marca identitária da Fundação, a que lhe deu fama entre os consumidores. E quantidades destas a este preço, é obra…
Dica: um companheiro clássico para a gastronomia regional. Continua a justificar a fama que tem.

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