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Era inevitável, certo?

Cá estão os desejos…

Até parecia mal começar o ano sem deixar alguns palpites sobre o que gostaríamos de ver melhorado e o que dispensamos de bom grado para o ano que ora começa. E vamos falar de vinhos e comidas, não só porque anda tudo ligado mas também porque, em virtude do dever de ofício e por gosto, acabo por frequentar muitos restaurantes, sobretudo, mas não só, em Lisboa. Comecemos mesmo pela restauração. É inegável que hoje estamos em alta, não só pela proliferação dos Chefes, que tal como os novos fadistas parece que nascem debaixo das pedras, como também pela oferta muito alargada de restaurantes. É verdade que a velocidade a que abrem é mesma a que fecham e quando nos soa que há um novo sítio que pode valer a pena é bom ter certezas porque podemos ir ao engano e, quando lá chegamos, afinal o Chefe já mudou e, com ele, o conceito. Uma verdadeira confusão. Mais consistência nos projectos é o que o cliente pede. Depois há casas que já aceitam o novo hábito do “pagamento da rolha”, quando cliente traz a garrafa e o restaurante cobra pelo serviço. O método em si tem lógica mas o que não se admite é a situação que vivi este ano num conhecido restaurante lisboeta de gastronomia regional: marco mesa para 6, digo que levo garrafas, sim senhor não há problema, não avisam quanto cobram e, no fim, quando vem a conta, estavam lá 10€ por cada uma das 5 garrafas. A isto chama-se “chicoespertismo” ou, porque não, ganância. Para lavar os copos, 10€ por garrafa? O restaurante pode pedir o que entender e o cliente ou aceita ou não, mas tem de ser informado. Desta maneira “à portuguesa” o resultado foi o inevitável: o tal restaurante perdeu os clientes que já juraram que lá não voltam, pelo menos neste grupo. Quanto a vinhos, seria bom que a própria restauração percebesse que não é justo nem curial estar a cobrar 20 ou 25€ por uma garrafa que o cliente sabe que custa €4 ou menos na grande superfície. Estes vinhos realmente baratos só são vinhos da restauração se lhes for aplicada uma percentagem razoável que não deverá ir, creio, além dos 150% em relação ao custo; mais do que isso e entramos na zona do escandaloso, tal como é uma vergonha que se cobre, por um copo, mais do que o preço da garrafa na prateleira. Ora, se se tratar de vinhos com rotação, por que não dividir apenas o preço da garrafa (na carta) por 5, que são as doses que uma garrafa dá, e nada mais? Há muitas maneiras de atrair os clientes mas cobrar à má fila não é seguramente a mais indicada. O bom serviço e o preço justo são os melhores divulgadores de uma casa. Todos ficamos admirados que os preços dos vinhos na restauração sejam tão acertados e tentadores em Espanha, quando por cá é o escândalo que se vê. Eles descobriram o mapa da mina? Tem direito a preços especiais na compra? São mais ajuizados e menos gananciosos? Algo vai mal aqui no burgo. O desleixo das cartas, a informação incorrecta, a desactualização e a dependência de apenas um ou dois distribuidores leva a que muito restaurante não tenha de que se orgulhar. Copos? Bem, esse então é um filme que vamos ter de deixar para a reprise…

Sugestões da semana:

(Os preços, com a excepção indicada, foram fornecidos pelos produtores)

Venâncio da Costa Lima Moscatel Roxo 2013

Região: Setúbal

Produtor: Venâncio da Costa Lima

Casta: Moscatel Roxo

Enologia: Fausto Lourenço

PVP: €25 (Garrafeira Nacional)

Um produtor clássico da região, uma casta renascida, um moscatel com carácter.

Dica: sirva fresco, à sobremesa com tortas de Azeitão, por exemplo.

Regueiro Primitivo branco 2016

Região: Monção e Melgaço

Produtor: Quinta do Regueiro

Casta: Alvarinho

Enologia: Paulo Rodrigues/Jorge Sousa Pinto

PVP: €17,50

O título Primitivo identifica as vinhas velhas com que o vinho foi feito.

Dica: traços minerais, acidez elevada, um grande branco. E com futuro.

Grandes Quintas tinto 2016

Região: Douro

Produtor: Casa de Arrochella

Castas: Lote de quatro castas

Enologia: Luis Soares Duarte

PVP: €6,99

Cerca de 60% do lote passou 6 meses em madeira. Vinhas no Douro Superior, em Vila Flor e Foz Côa.

Dica: um belo tinto para ser consumido novo, pleno de fruta e juventude.

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