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Vinhos Orgânicos

Em linha com o equilíbrio ambiental

O tema dos organic wines, aqueles que resultam de uma agricultura biológica, é assunto relativamente recente em Portugal e no mundo. Se recuarmos até às décadas de 60 e 70 do século passado nem se acredita na agricultura agressiva que então se praticava, com imenso prejuízo para os solos que se viam, à conta de tanto herbicida, totalmente despidos de matéria orgânica, terrenos mortos e que sobreviviam à custa de adubos químicos. Foi contra este caos agrícola, que por pouco não ia matando, por exemplo, os solos da Borgonha, que alguns produtores mudaram de rumo e de práticas. Nasceram assim as condutas mais amigas do ambiente, menos agressivas e mais respeitadoras da biodiversidade. Como se imagina, logo ali ao lado vieram a terreiro os fundamentalismos de vários matizes, alimentados por pseudo-teorias salvadoras dos solos e, quem sabe, da Humanidade. Adiante. Hoje estamos bem melhor do que naqueles tempos e, em várias regiões famosas, não se encontra quem tenha orgulho nos vinhos produzidos naquela época desastrosa. Na actualidade a tendência aponta no sentido de ter mais respeito pelo ambiente, promover a biodiversidade e intervir sobretudo preventivamente, evitando ataques de pragas e doenças. Não é fácil, não é barato e obriga a uma muito maior vigilância na vinha (aumentando também a pegada de carbono) com propagação de insectos que são predadores das pragas que dão cabo das vinhas, armadilhas anti traça, aplicações de caulino, cobre e enxofre (tudo autorizado pelo caderno de trabalho de campo) para que se consiga prevenir as doenças mais gravosas, como míldio e oídio. Se não se conseguir com prevenção perde-se a certificação porque os produtos de tratamento já com a doença instalada não são autorizados. Em vez de herbicidas, a viticultura orgânica aposta no crescimento de algumas ervas e plantas nas entrelinhas que podem até dar o alerta antes dos ataques das pragas. Serão depois incorporadas no solo, ajudando aí com compostos azotados. Ver hoje vinhas com muita erva não é necessariamente sinónimo de desleixo do proprietário; algumas serão mas muitas são deixadas assim intencionalmente. A certificação é muito mais baseada no que se faz na vinha do que na adega e por isso se costuma dizer que o vinho é de agricultura biológica e não “vinho biológico”. Uma vez no copo fica-nos então a dúvida: será que se consegue distinguir um vinho que resulta de uma agricultura biológica de outro que tem origem em viticultura convencional? A resposta é clara: não! Temos então que acreditar que as certificações certificam alguma coisa e ter confiança no produtor para ficarmos a saber que não estamos a contribuir para maltratar ainda mais o planeta. Já não é pouco. Já quanto aos sulfitos, que atormentam tanto o consumidor, eles lá estão para assegurar que o vinho não vai para vinagre. Mesmo nos vinhos que resultam da viticultura orgânica. Ainda bem!

Sugestões da semana:
(Os preços, salvo indicação específica, são da Garrafeira Empor, em Lisboa)

Esporão branco 2017
Região: Alentejo
Produtor: Esporão
Casta: Antão Vaz
Enologia: Sandra Alves/David Baverstock
PVP: €9,90 (preço do produtor)
Todas as vinhas do Esporão serão em breve certificadas como biológicas. Foi parcialmente fermentado em cubas (túlipas) de betão e estagiou aí 4 meses.
Dica: um branco de grande finura e complexidade, rico e cristalino na pureza da fruta.

Quinta do Cardo Vinha Lomedo Síria branco 2014
Região: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Casta: Síria
Enologia: Luis Leocádio
PVP: €24
Vinho Biológico. Apresenta alguma evolução mas ainda com muito carácter.
Dica: branco para pratos mais temperados, pode substituir um tinto.

Maritávora Reserva tinto 2012
Região: Douro (Freixo Espada à Cinta)
Produtor: Maritávora
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca entre outras
Enologia: Jorge Borges
PVP: €18,75
Vinho Biológico. Uvas pisadas a pé em lagar e 18 meses em barrica.
Dica: já pronto a consumir, um tinto cheio e com boa complexidade. Intensamente gastronómico.

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