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À espera do Outono

Os novos vinhos anunciam a mudança da estação

Com as vindimas a entrarem na recta final e ainda sem ser possível ter opiniões seguras sobre a qualidade da mesma, é tempo de estar atento às edições dos vinhos outonais. Chamo-lhes assim para os distinguir dos vinhos primaveris e estivais. Repare-se: há produtores que colocam os primeiros brancos da colheita ou em Dezembro ou logo no início do ano seguinte; são por norma as marcas que têm grande sucesso com vinhos muito jovens. São produtores que estão já sem stock para responder a encomendas e têm, por isso, uma grande pressão para colocar na rua as novas colheitas. Alguns desses, nomeadamente da casta Alvarinho, podem ter – ao contrário do que se poderia pensar – uma boa evolução em cave e não têm de ser consumidos à pressa. Na maioria dos casos estes vinhos, disponibilizados tão rapidamente para os postos de venda, são de consumo anual e não justificam guarda. De seguida, quando desponta a Primavera, vem o grosso da coluna dos vinhos brancos e rosés: são os Verdes, são os novos vinhos de quase todas as regiões, já pensados para serem vinhos do Verão e procuram também responder aos pedidos da exportação e das campanhas de Primavera/Verão das grandes superfícies. Estes costumam ser produtos de muito boa relação qualidade/preço, sempre bem-feitos embora, na maioria dos casos, sem história para contar. Há depois muitos produtores que, por fermentarem ou estagiarem os vinhos por períodos mais ou menos longos, nomeadamente os brancos, só os engarrafam no Verão. Desta forma libertam espaço na adega para a vindima que se aproxima e permitem que os vinhos tenham ainda algum estágio em garrafa antes de serem comercializados no Outono. Sabe-se que o vinho fica “perturbado” pela adição sulfuroso no acto do engarrafamento e requer um a dois meses de estágio em garrafa para que tudo se estabilize e o sulfuroso se combine e deixe de ser perceptível na prova. São esses brancos e tintos que estão agora a chegar ao mercado. Ainda não são os “grandes” vinhos, esses estarão ainda em estágio e só para o ano deverão ver a luz do dia, mas vamos ter agora os vinhos que nos alegram, sem termos de despender muito dinheiro. São também os vinhos que encontraremos facilmente em cartas de restaurantes e que podem já representar condignamente as regiões de origem e as castas com que foram feitos. Só algumas notas sobre a selecção desta semana: a Grand Noir é, tal como a Alicante Bouschet, uma casta fabricada em laboratório e é considerada tintureira porque a polpa também é vermelha mas a película (pele) tem um baixo índice de matéria corante e por isso os vinhos não são muito carregados. Será uma contradição mas é a cor da polpa que lhe dá o nome de tintureira. Existe há muitos anos em Reguengos e Portalegre. O Cartuxa e Esporão são dois verdadeiros clássicos que costumam evoluir muito bem em cave. Nada de urgências no consumo será por isso a regra a seguir.

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Colecção Privada DSF Grand Noir tinto 2015
Região: Reg. Pen. Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Casta: Grand Noir
Enologia: equipa dirigida por Domingos Soares Franco
PVP: €13,90
Este tinto foi feito em lagar de inox e não teve qualquer estágio em barrica.
Dica: tem tudo o que precisa para durar bons anos em cave. Austero, floral, sério. Prove agora e decida depois.

Esporão Reserva branco 2017
Região: Alentejo
Produtor: Esporão
Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro
Enologia: Sandra Alves/David Baverstock
PVP: €9,90
Conserva o lote clássico das castas brancas da região. Parte do vinho teve estágio em madeira. Rótulo de Albuquerque Mendes.
Dica: sempre muito atractivo em novo, gordo mas fresco, estruturado mas elegante.

Cartuxa branco 2017
Região: Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Castas: Antão Vaz e Arinto
Enologia: equipa dirigida por Pedro Baptista
PVP: €9,90
Tem produção anual desde 1990. Feito em inox, onde estagiou por 9 meses.
Dica: intenso na fruta madura, com corpo mas de boa acidez. Um grande companheiro para a mesa.

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