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Mente aberta, se faz favor!

Com o tempo, chega-se lá…

 

Quando estamos numa roda de consumidores é relativamente fácil perceber quem são os novatos no assunto: têm mais tiques, gesto largo a sugerir grande à-vontade no assunto e, sobretudo, muita segurança nos disparates que vão dizendo. Já os vi fazerem figuras tristes a comentarem vinhos em frente ao enólogo, dando dicas do que deveria e não deveria ter feito. Alguns enólogos, bem-educados, fazem um riso amarelo e não comentam. É melhor assim. O novato, ao contrário do sénior, tem imensas certezas e os juízos são definitivos. Mas o tempo, sempre ele, vai encarregar-se de ensinar que no tema vínico é mais ajuizado ter um espírito aberto, estar pronto a ver o improvável e aceitar ser surpreendido ao virar da esquina. O assunto vem também a propósito do Aveleda que seleccionei hoje e que não indiquei PVP porque nem imagino onde se poderá vender. É certo que algum leitor o terá em casa e já terá olhado para ele até numa loja de vinhos imaginando que estará passado e, mais que provável, morto. Dizer que um Regional Minho está vivo e de excelente saúde ao fim de 10 anos e que a Aveleda, mais conhecida de outros campeonatos, gerou um branco deste nível, é uma grande surpresa…para quem tem mente aberta. O verdadeiro amante de vinho tem muitas dúvidas e angústias, mas não conclui antes de provar e não dá a sentença de morte à saída da rolha: é preciso dar tempo ao vinho, é preciso deixar que ele se recomponha e deixe a hibernação a que esteve sujeito. Os “bitaites” ficam para mais tarde e os palpites são palpites, não são certezas. Os outros dois vinhos brancos têm o que contar mas por razões diversas. O Quartzo nasce na serra de S. Mamede em parcelas velhas (as tais que o novato apressadinho diria que são para arrancar já) e têm tudo o que por lá havia em termos de castas. Esse é o segredo mais interessante da zona, suficientemente atractivo para ter levado a Sogrape a adquirir ali uma pequena propriedade com vinha e adega; e já lá estão os Symington, a Fundação Eugénio de Almeida, a Lusovini, Susana Esteban, Rui Reguinga, entre outros. A serra conhece assim um renascer, pela mão de quem acredita que vinhas velhas e cepas tortas podem originar grandes vinhos. Muitos brancos e alguns tintos, lá por Portalegre. O Carvalhas tem mão segura de dois apaixonados do Douro, Jorge Moreira e Álvaro Lopes. A quinta está mapeada, a busca de castas antigas não cessa, a procura do património riquíssimo do Douro exige paixão e muito saber. O tal saber “de experiências feito” que, neste caso, não faz deles Velhos do Restelo mas antes aventureiros que pisam terrenos que conhecem mas que querem descobrir os segredos mais escondidos. É desta forma que não se deixa morrer o património e há que fazer orelhas moucas aos arautos da desgraça que defendem que o que deveríamos era plantar as castas que todo o mundo quer. Entre novatos e tremendistas, venha ao diabo e escolha.

 

Sugestões da semana:

(Os preços foram indicados pelos produtores)

 

Carvalhas branco 2016

Região: Douro

Produtor: Real Companhia Velha

Castas: Viosinho e Gouveio

Enologia: Jorge Moreira

PVP: €28

Tem origem na quinta do mesmo nome, no coração do Cima Corgo, junto ao Pinhão. Tem estágio em barricas novas de carvalho.

Dica: aliança bem conseguida entre um lado citrino e estrutura de corpo com acidez perfeita. Um grande branco.

Quartzo branco 2016

Região: Alentejo Portalegre

Produtor: Cabeças do Reguengo

Castas: mistura de castas

Enologia: João Afonso

PVP: €20 (para já disponível no Algarve mas estará em breve em Lisboa)

Nasce em 4 parcelas centenárias na serra de São Mamede. 2300 garrafas produzidas.

Dica: maduro mas espevitado pela acidez, um banco cheio de personalidade.

Follies branco 2008

Região: Regional Minho

Produtor: Aveleda

Castas: Alvarinho e Loureiro

Enologia: Manuel Soares

Ao incluir Alvarinho no rótulo o vinho tem, por ora, de ser Regional e não Vinho Verde.

Dica: um branco para saborear a solo, austero mas com uma acidez perfeita. Muito prazer na prova.

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