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As escolhas de Diana na Madeira

Em volta da Tinta Negra, a casta

A ilha da Madeira produz vinhos generosos de classe mundial. Resultam de castas brancas, os mais famosos, e de castas tintas, sobretudo a Tinta Negra, durante muito tempo a casta usada para a produção do Madeira de entrada de gama, os vinhos de 3 e 5 anos. É abundante na ilha, produz bem e adaptou-se ao clima diverso da ilha. Dizemos diverso porque a encosta norte, na zona de S. Vicente onde a paisagem é no mínimo deslumbrante, é mais húmida e de clima mais frio, gerando assim vinhos diferentes. O produtor obriga-se a muito maior intervenção na vinha. Ali é mesmo impensável tentar uma agricultura biológica face ao número de tratamentos indispensáveis para a vinha, ao contrário da encosta sul, sobretudo Câmara de Lobos onde tal tipo de produção é possível. Foi por acreditar nas potencialidades da casta Tinta Negra para a produção de vinhos tranquilos (ou seja não generosos) que Diana Silva, madeirense que no continente trabalhou em várias empresas de vinhos, resolveu levar por diante um projecto inovador que contempla três vinhos feitos com a mesma variedade – um branco de uvas tintas, ou Blanc de Noirs com se diz em Champagne, um rosé e um tinto. Aqui tudo é difícil, desde as adversidades climáticas até à forma de condução da vinha em latada. As vinhas são maioritariamente de pequeníssimos agricultores e por isso é normal ouvir Diana dizer que agora tem 13 000 m de vinha (1,3 ha), quando por cá todos falam em hectares. A uva paga-se caro (em média mas 50% do que no continente) mas Diana oferece ainda um preço mais elevado se as uvas estiverem sãs e o produtor tiver seguido as orientações técnicas que lhe foram dadas. Além das clássicas pragas de míldio e oídio, muito castigadoras neste ambiente climático, os produtores têm no cardápio das doenças muito por onde escolher e muita dor de cabeça para debelar: mosca, dois tipos de traça, aranhiço, esca, botrytis, escoriose, a tudo se tem que acorrer a tempo e horas se se quiser ter uvas sãs. E as uvas sãs no ano passado foram pagas a €1,15 e é provável que este ano, face à previsível quebra da produção em 40%, se assista a uma subida generalizada do preço. Pagar mais caro, pagar na hora e exigir boas uvas, este parece ser o lema de Diana, jovem trasbordante de entusiasmo que de três em três semanas está nas vinhas e na adega de S. Vicente a acompanhar os vinhos. Ali se laboram as uvas de todos os doze produtores de vinhos tranquilos, o que obriga a muita separação do trabalho, desde as cubas, paletes, rolhas, garrafas. Um desafio permanente para o enólogo que de todos trata e a todos procura corresponder ao estilo desejado. São 150 toneladas de uva por ano, maioritariamente oriundas de dois produtores que têm 70% da produção da ilha. Sempre em estreita ligação com o técnico de viticultura Samuel Freitas, Diana está a levar o projecto para diante, com entusiasmo e determinação. É o nosso bebé, disse. Vai medrar, que a qualidade o justifica, digo.

Nota – na anterior crónica, saiu, por engano, uma foto repetida e não se publicou a foto do espumante Ervideira. Pelo facto pedimos desculpa.

Sugestões da semana:
(Os preços dizem respeito à Garrafeira Nacional, em Lisboa)

Ilha branco 2017
Região: DOP Madeirense
Produtor: Diana Silva
Casta: Tinta Negra
Enologia: João Pedro Machado
PVP: €19,90
Pouca cor mas com aroma vivo, de traço mineral, bem conseguido e com acidez muito viva.
Dica: um branco gastronómico para marisco pouco cozinhado, sem dúvida.

Ilha rosé 2017
Região: DOP Madeirense
Produtor: Diana Silva
Casta: Tinta Negra
Enologia: João Pedro Machado
PVP: €19,90
Bonita cor rosada, aroma repleto de fruta vermelha, um rosé entusiasmante.
Dica: as lapas vão-lhe a matar mas as ovas cozidas como entrada também.

Ilha tinto 2017
Região: DOP Madeirense
Produtor: Diana Silva
Casta: Tinta Negra
Enologia: João Pedro Machado
PVP: €19,90
Ligeiro na cor e na graduação (como os restantes) é um tinto da nova geração, fresco, vivaço, de tanino firme.
Dica: ligue-o sobretudo as pratos ligeiros e de cocção breve, seja carne ou peixe.

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