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O jogo dos tabuleiros

Eles existem, com negócios diferentes

Quem está nos negócios do vinho depara-se com alguma frequência com situações de impasse que tendem a gerar uma de duas opções: crescer e arriscar, alargar o negócio, eventualmente a outras que não a região de origem, ou consolidação do projecto próprio, conseguindo gerar mais-valias e valorização do produto sem ter necessariamente de “mudar de ares”. Pode mesmo haver ainda uma terceira opção, associada com a primeira, que é um crescimento para uma área de negócio não directamente ligada à produção de vinho. Actualmente em Portugal encontramos as três situações e, em vários casos, são de facto dados novos porque contrariam práticas antigas. Vejamos o grupo Symington: desde sempre ligado ao Douro mas, algo surpreendentemente, fez um investimento no Alentejo, na serra de São Mamede, onde irá exclusivamente produzir vinhos não generosos. E já se fala na possibilidade de se alargarem horizontes para outras regiões fora do Douro. No mesmo sector do vinho do Porto, o grupo Fladgate (Taylor, Fonseca, Croft) fez uma opção distinta: vinho, apenas Porto, está por isso fora da produção de DOC Douro, mas o alargamento do negócio fez-se na componente turística e hoteleira – Hotel Vintage House no Pinhão, hotel Yeatman em Gaia e o recentemente renovado e reabilitado Infante de Sagres na baixa portuense. Na calha está um enorme investimento também em Gaia, já em marcha, “World of Wine”, a inaugurar em 2010. Estes dois são casos emblemáticos porque durante muitas décadas o sector do vinho do Porto esteve vocacionado em exclusivo para o vinho generoso; a novidade começou na década de 90 quando os DOC Douro começaram a ser um negócio onde se via futuro e, já neste século, as empresas de Porto redescobriram a importância dos enoturismos – agora em moldes mais sofisticados – e daí à restauração e à hotelaria foi um curto passo. Ainda há uma semana foi anunciado pela Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo (família Amorim) a aquisição de uma enorme quinta no Dão onde se vai procurar diversificar o negócio do vinho. Este movimento de crescimento para fora do tabuleiro inicial é uma constante no sector, mesmo a nível internacional. Como me dizia um dos mais conhecidos produtores de brancos do Mosela (Dr. Loosen) “é uma chatice estar sempre a fazer o mesmo tipo de vinho na mesma região”. Uns vão para a região ao lado, outros vão jogar em tabuleiros que ficam noutros continentes, como a Sogrape. Mas o crescimento pode também tomar outras formas, como alguns produtores nacionais bem o demonstram: Luís Pato cresce só na Bairrada, a Fundação Eugénio de Almeida continua apenas no Alentejo. Há, creio, um “bicho desafiante” que leva os produtores a alargarem horizontes. Os negócios envolvem riscos mas, sem riscos, as vitórias teriam bem menos graça. Vamos por isso continuar a ter notícias do Esporão, da Niepoort e de outras empresas, numa busca incessante de novos tabuleiros onde possam jogar.

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Paço de Teixeiró branco 2017
Região: Vinho Verde (Baião)
Produtor: Montez Champalimaud
Castas: Avesso (80%) e Loureiro
Enologia: Lourenço Charters Monteiro
PVP: €7,50
Vinhas em solo de xisto de transição para o Douro. A marca nasceu nos anos 80 e renasce agora, acrescentando também um varietal de Avesso, a casta emblemática da zona.
Dica: muito citrino, com excelente acidez, um belo companheiro de marisco.

Flor de S. José branco 2017
Região: Douro
Produtor: João Brito e Cunha
Castas: Arinto, Rabigato e Gouveio
Enologia: João Brito e Cunha
PVP: €10,50
Vinhas em zonas altas com solos graníticos. Estas castas são muito tradicionais na região e estão presentes na maioria dos brancos.
Dica: branco fresco, fino e elegante, pensado para o consumo em novo. Perfeito para peixes grelhados, por exemplo.

Porto Messias 20 anos
Região: Douro
Produtor: Soc. Agríc. e Comecial dos Vinhos Messias
Castas: várias
Enologia: Elisete Beirão
PVP: €38
Uma das poucas marcas portuguesas e familiares, fundada em 1926. Porto Colheita e tawnies com indicação de idade são as “estrelas” da casa.
Dica: muito exuberante aromaticamente, é um Porto a beber à sobremesa, ligeiramente refrescado.

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