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A corrida ao ouro

Neste caso bem negro e…apetecível

De tempos a tempos há corridas destas. A última tinha sido em 2013 e agora, cinco anos depois, volta a mesma febre, a mesma vontade de não ficar de fora. Estamos a falar, com já se percebeu, da declaração do Porto vintage 2016. Esta declaração é sempre feita no segundo ano após a vindima; as aprovações pelo IVDP começam a 15 de Fevereiro e a lei (entretanto actualizada) autoriza que as empresas comecem a comercializar o vintage a partir de 1 de Maio. A última declaração que tinha causado ruído nos media internacionais tinha sido a de 2011, um Porto de sonho que continua glorioso e assim permanecerá por muitas décadas. Esta declaração do 2016 levou a que as casas inglesas tenham optado pelas primeiras marcas (Taylor’s em vez de Vargellas, Graham’s em vez de Malvedos, por exemplo), fazendo desta uma “declaração clássica”, termo que irrita solenemente todas as casas não inglesas do sector. A verdade é que, quando é clássico, todos fazem bons negócios. Do grupo Symington dizem-me que não têm uma garrafa para vender, está tudo encomendado e alocado; das 204 000 garrafas da declaração ficarão em casa cerca de 15% para provas e memória futura. O mesmo acontece no grupo Taylor/Fonseca: já não há vinho para venda, tudo está já destinado e reservado, qualquer coisa como cerca de 170 000 garrafas. A Sogrape foi mais comedida, com 40 000 garrafas nas três marcas. O tempo que medeia entre a aprovação dos lotes e a colocação nos mercados é uma dor de cabeça para todos: antes de mais, conseguir rolhas de qualidade excepcional é muito difícil e obriga a muita pressão junto das empresas corticeiras; é um item em que não se pode falhar, sob pena de deitar por terra a qualidade do vinho; depois há que mandar produzir as caixas de madeira, rótulos e há depois a “gestão do transporte” em que se procura que o vinho não esteja demasiado tempo nas alfândegas, sujeito aos calores de Verão. É por isso que algumas casas optam por só começar a distribuir e entregar o vinho em Outubro. Há pouco tempo tínhamos escrito uma crónica que intitulámos: “E agora 16 ou 17?” Essa era a dúvida, exactamente porque estávamos (dizia-se no sector) perante dois potenciais vintages de enorme qualidade. Resolvida que está a primeira parte da dúvida, resta a segunda mas só no próximo ano será possível perceber se, pela primeira vez em muitos anos, as casas inglesas irão declarar como clássico os vintages de dois anos seguidos. Uma declaração assim (já começaram a surgir classificações de 100 pontos) é sempre uma lufada de ar fresco, um reforço financeiro importantíssimo – vende-se muito caro e recebe-se rapidamente o dinheiro – e o Vinho do Porto ganha nova visibilidade, eventualmente novos mercados e novos consumidores o que, em época em que os vinhos doces estão em baixa de popularidade a nível mundial, não deixa de ser importante. Algumas casas não declararam o 16, como a Niepoort e a Ramos Pinto.

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Azevedo Loureiro e Alvarinho branco 2017
Região: Vinho Verde
Produtor: Sogrape Vinhos
Castas: Loureiro e Alvarinho
Enologia: António Braga
PVP: €4,49
Nova aposta da Sogrape, diversificando a oferta na região. Há também um Reserva.
Dica: um branco fresco, fácil, afinado na acidez e que será perfeito companheiro estival.

Adega Monte Branco 10 anos tinto 2014
Região: Reg. Alentejano
Produtor: Luís Louro
Castas: Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira
Enologia: Luís Louro
PVP: €50
Apenas se produziram 1800 garrafas deste tinto comemorativo. É por excelência um vinho de guarda.
Dica: concentrado e rico, notas quentes e vegetais, tudo muito alentejano, o que é bom sinal, expressando assim as características da região.

Porto Taylor’s Chip Dry branco
Região: Douro
Produtor: Fladgate Partnership
Castas: várias
Enologia: equipa dirigida por David Guimaraens
PVP: €11,50
Clássico vinho de verão, ideal para cocktails. Sempre a servir bem fresco.
Dica: para um Porto tónico junte água tónica, gelo, limão e umas folhas de hortelã.

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