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À descoberta da China

O Novo Mundo do vinho está a nascer no Oriente

Foi há cerca de um mês que me deram a provar um tinto em prova cega, não sabendo portanto eu o que estava a beber. A prática habitual deste tipo de provas ajuda-nos a compreender o vinho sem estarmos reféns de conceitos e preconceitos. É a partir do que temos no copo que podemos tentar discernir o que poderá ser e o que é provável que não seja. São muitos os factores que entram nesta análise mas não vou agora falar deles. Voltemos ao vinho. Era um tinto robusto, encorpado, com muita cor e era evidente a presença da casta Cabernet Sauvignon. Quando isto acontece, por defeito, começamos a pensar em Bordéus, a pátria daquela variedade. No entanto, a sua expansão para todos os cantos do mundo leva a que um vinho que cheira a Cabernet possa ter origem em qualquer continente, uma vez que a casta tem uma incrível capacidade de adaptação a todos os tipos de solo e clima. É claro que avancei umas hipóteses mas jamais pensaria que estava perante um vinho feito no Tibete. Isso mesmo, a tal região que associamos apenas a frio, montanhas e neve afinal também pode fazer um bom vinho, chinês, e com o envolvimento (imagine-se) do grande gigante dos vinhos – Moët & Chandon. Ao que soube o vinho era bem caro (aquela chancela a isso ajuda) e também o facto de estarem envolvidos os enólogos de alguns châteaux famosos de Bordéus, como é o caso do Cos d’Estournel. Esta história serve apenas para introduzir aqui o tema da produção de vinhos e uvas na China. Todos sabemos que não há tradição nem de produção nem de consumo de vinho naquela zona do planeta – e a própria gastronomia tradicional não liga bem com vinho – mas isso tem vindo a mudar à mesma velocidade dos outros segmentos da economia naquele país. A produção de vinho e uvas poderá remontar aos finais do séc. XIX mas, em boa verdade, antes dos finais dos anos 80 do séc. XX o tema não era sequer assunto. As elites descobriram os vinhos franceses – são eles os grandes responsáveis da explosão demencial dos preços das grandes marcas – e a produção de vinho passou a ser entendida como uma área de negócio. Como os chineses não perdem tempo, em pouco mais de duas décadas transformaram o país na segunda maior área de vinho do Mundo (a Espanha lidera neste campo) e já produz mais que Portugal, tanto como a Austrália ou a África do Sul, integrando assim a lista do top-tem dos maiores produtores O aumento enorme do consumo mundial e a escassez de vinho a granel que levou a que este negócio esteja actualmente em alta são motivos suficientes para justificar este crescimento louco em tão puco tempo. E se é verdade que, do ponto de vista climático, a China não reúne as melhores condições para a produção de grandes vinhos, não nos fiquem dúvidas que será sempre possível descobrir um local, por pequeno que seja, que tenha as melhores condições e que permitam fazer um vinho de referência, como este tibetano. E não é preciso que seja necessariamente de Cabernet Sauvignon. Há castas locais com nomes estranhos mas, quem sabe, um dia saberemos pronunciá-los.

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Vale da Raposa Grande Escolha tinto 2015
Região: Douro
Produtor: Domingos Alves de Sousa
Castas: lote de quinze castas
Enologia: Tiago Alves de Sousa
PVP: €23,75
Fruta madura e boa barrica, tudo num registo denso mas ao mesmo tempo polido. Resulta assim um tinto sério com muita classe.
Dica: ligue-o a partos de carne bem temperada, estufada ou no forno.

Esporão Duas Castas branco 2017
Região: Reg. Alentejano
Produtor: Esporão
Castas: Viosinho e Alvarinho
Enologia: Sandra Alves/David Baverstock
PVP: €8
As duas variedades são estranhas ao Alentejo mas estão na moda e funcionam bem em conjunto.
Dica: elegante e frutado, beba fresco mas não em demasia para que não se perca a fruta (9/10º).

Espumante Pedra Cancela Bruto 2015
Região: Dão
Produtor: Lusovini
Castas: Encruzado e Cerceal Branco
Enologia: Sónia Martins/João Paulo Gouveia
PVP: €8
Não indica (porque a lei não obriga) mas é um espumante branco. Tem 6 gramas de açúcar/litro mas isso em nada o prejudica e facilita a prova que se mostra em grande harmonia.
Dica: pode ser servido como aperitivo ou com peixes delicado e com pouco tempero.

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