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Rosados e vivaços

Nem sempre devidamente apreciados mas por erro nosso

Faça-se uma brincadeira com os amigos. Arranje-se um copo preto (vendem-se em algumas garrafeiras e lojas de copos) e sirva-se um rosé bem fresco, seco e sem gás. Pede-se a opinião e provavelmente todos irão dizer que se trata de um branco, um vinho fresco e de Verão. É aqui que acaba por morrer o preconceito, aquela ideia antiga e tosca de que os rosés não são vinho, que têm muito açúcar ou gás a mais. Já não faz sentido ir por aí porque a produção actual deste tipo de vinho há muito que se afastou daquele padrão e os rosés são hoje muito bem-feitos e cumprem na perfeição a ideia de serem vinhos de esplanada ou, no caso dos que têm mais álcool do que deviam, bons parceiros para pratos leves, no campo ao ar livre, na praia ou no alpendre da casa. Tal como acontece com outros vinhos os rosés estão sujeitos às modas mas a actual é, convenhamos, a que mais nos convence: vinhos ligeiros na cor, sem gás, com pouco ou nenhum açúcar, tudo com grande equilíbrio. Como ponto fraco, noto-lhes por vezes um grau alcoólico exagerado; é que, ser vinho para a esplanada e ter 13,5 ou 14% de álcool pode dar grande asneira. Esta elevada graduação deriva da forma como foi feito mas isso aqui é menos importante. O que interessa é saber que no acto da compra temos de ter em atenção para que momento de consumo queremos o rosé e escolher um vinho com a graduação justa, ou seja, até 12 ou 12,5% para ser consumido a solo ou com saladas de Verão e com 13% ou mais para serem consumidos à mesa, em substituição de vinhos brancos. A produção nacional, difícil de quantificar, tem crescido enormemente, mesmo em regiões onde tradicionalmente este tipo de vinho não existia, como o Douro ou Alentejo. Actualmente a produção espalha-se por todas as zonas do país mas sente-se que há rosés a mais para o consumo que se pode presenciar, nomeadamente na restauração. Dizem-nos também que se está a exportar muito, sobretudo para países do centro da Europa e muito também para a Bélgica. São boas notícias. Cremos que o consumo interno bem podia ser mais significativo mas para isso é preciso arrumar de vez o preconceito. É verdade que ele tinha razão de ser porque à força de querer imitar o Mateus rosé, muito vinho desinteressante se produziu neste país. Mas é tempo de virar a página, não do Mateus que está bem de saúde e recomenda-se, mas da ideia peregrina que estes não são vinhos a sério. Não só são como há regiões do mundo a ganharem muito, mas mesmo muito dinheiro por produzirem rosés ao gosto do consumidor actual, moderados de álcool, fáceis de beber e que podem ser polivalentes à mesa. Entre nós temos bem mais caros do que estes que seleccionei mas creio que estes são bons exemplos do que atrás disse. Nas crónicas anteriores eles têm aparecido na selecção da semana mas hoje têm direito a mais. Por mérito próprio.

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Quinta dos Carvalhais Colheita rosé 2017
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Castas: Touriga Nacional e Alfrocheiro
Enologia: Beatriz Cabral de Almeida
PVP: €6,50
Tem 11,5% álcool. É a estreia desta quinta em rosés. Salmonado ligeiro na cor, muito elegante de aroma.
Dica: para a esplanada, mesmo sem qualquer acompanhamento.

Crasto rosé 2017
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Castas: Touriga Nacional/Tinta Roriz
Enologia: Manuel Lobo de Vasconcelos
PVP: €9,90
Tem 13% álcool. É a segunda vez que é editado. Rosado na cor e levemente floral no aroma.
Dica: macio e levemente gordo na boca, perfeito para saladas de Verão.

Herdade do Sobroso Cellar Selection rosé 2017
Região: Alentejo (zona da Vidigueira)
Produtor: Herdade do Sobroso
Casta: Syrah
Enologia: Luís Duarte/Filipe Teixeira Pinto
PVP: €15
Tem 12,5% álcool. Muito seco na boca. Notas de framboesas e leve mentolado no aroma.
Dica: muito harmonioso, de grande equilíbrio é um rosé de grande classe. Perfeito na esplanada com acepipes simples.

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