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Os dados estão lançados

E em Maio tudo se desvendará

Não é que seja grande a novidade já que a notícia tem periodicidade anual mas às vezes até nos esquecemos que o mês de Maio é, por excelência, o mês dos concursos de vinhos. Existem em vários países e uns são locais outros são de âmbito mundial. Estes últimos são os mais importantes. Relembro que a importância destes certames se mede pelo número de amostras a concurso e, dentro do possível, pela qualidade/prestígio dos jurados. Digo dentro do possível porque um concurso que tenha 10 000 vinhos em prova e que poderá necessitar de mais de 300 provadores, não consegue garantir um nível de prova idêntico entre todos ou, sequer, que todos sejam exímios provadores. É assim normal que um mesmo vinho possa ter uma medalha numa mesa de jurados e noutra não; um vinho apenas bom se calha num flight com vinhos muito fracos acaba por brilhar e ter uma bela medalha mas se os outros vinhos forem de grande gabarito poderá não ter qualquer prémio. Ficamos então assim: para que serve o concurso? A quem beneficia? Antes de mais aos organizadores já que pode ser um grande, mesmo muito grande negócio. Veja-se um dos três mais famosos que aqui destaco: o International Wine Challenge cobra, em média, £120 por amostra, não paga aos provadores (esta é norma comum a todos os concursos), não lhes paga a viagem nem a estadia e serve-lhes apenas um buffet ao almoço. Quem lá vai então provar? Os ingleses que já lá estão, os estrangeiros que vão pagos pelas próprias empresas e alguns outsiders que querem ter mais uma linha no currículo. O de Bruxelas (€138 em média por amostra), que este ano será em Pequim, é bem mais atencioso com os provadores que convida: paga todas as despesas e desde o momento que se entra aqui no avião até que voltamos a aterrar em Lisboa não temos de gastar um tostão, tudo está incluído. Teremos em Pequim 9180 amostras para prova, das quais 1062 de Portugal, o quarto país com mais amostras a concurso. O terceiro concurso mais prestigiado creio ser o da revista Decanter (£139 em média) que também tem lugar em Londres. Qualquer deles nunca anda longe das 10 000 amostras. É mesmo só fazer as contas e estas são fáceis de fazer. Mas, alem dos organizadores, os produtores também ganham. Na palavra dos próprios, as medalhas ajudam muito na exportação porque os importadores que se possam vir a interessar por vinhos portugueses torcem o nariz a um produtor que não tem medalhas nos seus vinhos e a tremenda competição a nível internacional a que os nossos vinhos estão sujeitos força os produtores a terem de exibir prémios. Convém é estarem preparados para que o seu topo de gama que até custa 20 ou 30 € não tenha qualquer medalha e o seu “good value for money” acabe por arrecada uma medalha. Os provadores provam mal? O meu vinho é especial e ninguém deu por isso? Há má vontade em relação aos vinhos portugueses? Tudo é possível mas… há que manter a calma que as escolhas são por natureza subjectivas!

Sugestões da semana:
(Os preços foram fornecidos pelos produtores)

Aveleda Reserva da Família branco 2016
Região: Reg. Minho
Produtor: Aveleda
Casta: Alvarinho
Enologia: Susete Rodrigues
PVP: €9,99
Foi vinificado em barricas de carvalho. É Regional porque ostenta o nome da casta e foi feito fora da região de Monção-Melgaço.
Dica: bela acidez, muita harmonia aroma/sabor, um branco destinado ao sucesso.

Lacrau rosé 2017
Região: Douro
Produtor: GR Consultores
Casta: Touriga Nacional
Enologia: Rui Cunha
PVP: €5
Bem na apresentação, perfeito no aroma, elegante mas sem cansar, foco nas notas florais.
Dica: perfeito para a mesa, quer para peixes fumados quer para acepipes.

Pôpa Black Edition tinto 2015
Região: Douro
Produtor: Quinta do Pôpa
Castas: quatro castas + 30% de vinha velha
Enologia: João Menezes
PVP: €13,45
O vinho esteve um ano em madeira já usada e dele fizeram-se cerca de 8000 garrafas. Suave mas elegante no aroma, centrado na fruta, bem desenhado.
Dica: com este perfil macio, é tinto de grande aptidão gastronómica e muito consensual, o que é sempre uma virtude.

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