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Hoje não vou provar champanhes

O tema são outras bolhas

Os vinhos espumantes constituem um enorme sucesso mundial. Os originais, aqueles inventados em França na região de Champagne, constituem um verdadeiro fenómeno. Com uma produção de 300 milhões de garrafas/ano, a região ganhou um prestígio que nenhuma outra conseguiu alcançar. Estamos então a falar de vinhos cuja efervescência resulta de uma segunda fermentação na garrafa. É assim que se gera o gás e chama-se a este o “método clássico”. Em tempos chamou-se método champanhês mas os franceses impuseram a interdição de usar a palavra (ou derivados dela) que pudessem confundir os consumidores. Assim, tudo o que incluir a palavra champanhe, sem ser o propriamente dito, seja que produto for, passou a interdito. Até Yves Saint-Laurent, que criou um perfume com aquele nome, teve de o retirar porque perdeu a causa em tribunal. Já vi rótulos dos inícios do séc. XX que diziam “champanhe portuguez”, algo agora impensável. Não é estranho. As leis europeias protegem as denominações de origem e é assim que não encontramos marcas de sugiram algo parecido com a designação Vinho do Porto. Embora se saiba que na África do Sul se produz Port, a verdade é que não se pode comercializar na Europa. Em Espanha, que em alguns anos chegou a produzir mais do que a região francesa, é na zona catalã do Penedès que se concentra a produção de espumantes. Ali se produzem os Cava, nome local para os vinhos feitos com segunda fermentação em garrafa. Os exemplos de cava que escolhemos esta semana contemplam as principais castas utilizadas. Em França, nas restantes zonas do país também se faz “vin mousseux, crémant ou pétillant”, nomes a que estão obrigados os vinhos feitos pelo método clássico mas fora de Champagne. As diferenças em relação à região original situam-se, antes de mais, no preço: vendem-se em Portugal vinhos destes que não chegam a €7 a garrafa quando, se se quiser beber champanhe, muito dificilmente se gasta menos de €30 por garrafa. Hoje incluí um rosé feito na Provence e dois Cava. São vinhos bem interessantes, sendo certo que existem outras variedades mais baratas do que as escolhidas. Não se deve assim chamar champanhe a vinhos que têm origem fora da terra de Dom Pérignon e isto é válido para os produzidos em qualquer região do mundo. A razão de ser da diferença, às vezes abissal, entre os champanhes e os outros prende-se, sobretudo, com a fama da região e a “fatal” lei da oferta e da procura. Champagne não consegue produzir o suficiente para aquilo que o mercado quer e assim os preços sobem. As melhores uvas são por lá pagas a €6 o quilo e a produção por hectare ronda as 10/12 toneladas por hectare. É só fazer as contas. Por isso se diz, gracejando, que a diferença entre ricos e pobres em Champagne se equaciona assim: os ricos mandam lavar o Mercedes e os pobres têm de lavar o seu próprio Mercedes. Custa a crer mas é verdade…

Sugestões da semana:
(Os preços referem-se à Garrafeira de Campo de Ourique, Lisboa)

Cava Freixenet Cuvée de Prestige Reserva Real Brut s/ data
Região: Espanha (Penedès)
Produtor: Freixenet
Castas: Macabeo, Xarel-lo e Parellada
PVP: €24,50
Um gigante do Penedès, um nome incontornável nos Cava, Freixenet tem vinho para todas as gamas. Este é já média/alta.
Dica: muito fino, austero, seco, um belo Cava. Atum em sashimi vai-lhe a matar.

Cava Juvé y Camps Blanc de Noirs Reserva Brut 2011
Região: Espanha (Penedès)
Produtor: Juvé y Camps
Casta: Pinot Noir
PVP: €29,50
Este Cava mostra-se vigoroso e de bom impacto olfactivo, maduro mas sem perder a elegância. Esta é uma empresa familiar.
Dica: Muito gastronómico, pode ser perfeito para acompanhar peixes no forno ou peixes fumados em canapés.

Rivarose Prestige Brut s/ data
Região: França (Provence)
Produtor: Rivarose
Castas: Syrah e Grenache
PVP: €12,95
Discreto no aroma, levemente perfumado mas sem grande exuberância, daqueles que agradam a todos, polido e fácil.
Dica: com uma pequena doçura residual, será perfeito para aperitivo mesmo sem acompanhamento.

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