skip to Main Content
Menu

Tu cá tu lá com o frio

E algum cuidado com as garrafas

Parece que é desta. O frio veio para ficar e há que saber enfrentá-lo sem temores. Apressadamente poder-se-ia pensar que em tempos invernosos estamos exclusivamente no terreno dos tintos. Pior. Para muitos, onde desgraçadamente me incluí quando era jovem e inconsciente, está na hora de pôr o vinho em frente à lareira para aumentar a temperatura. De facto, com essa prática, antiga mas sem sentido, estamos a ajudar o vinho a ficar uma sopa e, seguramente, a retirar-lhe qualidades. O assunto merece, ainda assim, algumas linhas. Fernando Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha, era adepto da ideia, que defendia vigorosamente, dos vinhos tintos velhos serem bebidos bem mais quentes do que o bom senso agora aconselha. Para ele, pelo menos 22º, quando não mais. Temo que o Sr. Almeida (como era tratado por todos) não tivesse razão mas é verdade que há, também neste assunto, um espaço amplo onde cabem os gostos pessoais diferenciados. Confesso que hoje tenho imensa dificuldade em beber, ainda que no inverno, um tinto meio aquecido. Costumo, de resto, pôr a garrafa fora da janela durante uma meia hora para lhe dar um friozinho invernoso, sem no entanto entrar em fundamentalismos de ter de beber tudo a 16º. Um termómetro ajuda nos primeiros tempos mas depois torna-se intuitivo e o serviço deixa de ser uma dor de cabeça. Mas a época também pode ser perfeita para alguns brancos. Se a inspeccionar, é bem capaz de ter na sua garrafeira algumas garrafas de Verdes que sobraram de anos anteriores. Pois está então na altura de os beber; Alvarinhos (ou outros) com 5 ou 6 anos tornam-se grandes companheiros no inverno, naturalmente servidos não tão frios como quando eram novos. A temperatura exterior pede vinhos mais acolhedores, mais gordos e cheios. E como a culinária da estação acompanha esta tendência, com estufados de forno ou de tacho em longa cocção, é então altura de pôr temporariamente de lado os vinhos mais leves e fragantes e trazer para primeiro plano os vinhos mais robustos. Também os vinhos tintos mais velhos (25/30 anos) podem ter um grande papel nesta época, sobretudo para acompanhar sobremesas conventuais, normalmente muito ricas em ovos e açúcar. Os vinhos velhos requerem alguns cuidados no manuseamento; porque podem ter depósito e devem as garrafas ser colocadas com antecedência (algumas horas) na posição vertical e porque as rolhas podem estar muito danificadas e há por isso que ter por perto alguns acessórios, como funil, decantador e aparelho de tirar os restos das rolhas de dentro das garrafas. Pode servir no decantador ou lavar a garrafa e voltar a colocar o vinho lá dentro. Esta última sugestão é mais prática quando são muitas garrafas diferentes que estamos a servir. Muitos decantadores em cima da mesa pode tornar-se uma enorme confusão. E com o frio chega também a época perfeita para os Porto vintage a acompanhar os queijos secos ou azuis. Boas jornadas vínicas e muitos amigos à volta da mesa são as esperanças para 2018.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores ou consultados on-line)

Cartuxa Reserva tinto 2014
Região: Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Enologia: Pedro Baptista
Castas: Alicante Bouschet e Trincadeira
PVP: €35,70
Foi produzido pela primeira vez em 1987. Este estagiou 15 meses em barricas novas. Todo ele em concentração, textura e boa ligação com a barrica.
Dica: um tinto muito sério, cheio de carácter, a pedir pratos da gastronomia regional ou caça, como javali.

Quinta do Crasto Tinta Roriz tinto 2013
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Enologia: Manuel Lobo Vasconcelos
Casta: Tinta Roriz
PVP: €55,70
Este é dos melhores Tinta Roriz que se fazem no Douro. Cheio, rico e com muita estrutura.
Dica: requer copos largos que lhe permitam mostrar o que vale. E vale muito.

QM Vinhas Velhas branco 2012
Região: Monção-Melgaço (Vinho Verde)
Produtor: Quintas de Melgaço
Enologia: Nelson Carvalho/Jorge Sousa Pinto
Casta: Alvarinho
PVP: s/ preço
Foi retirado da minha garrafeira, por isso não tem preço. O tempo deu-lhe alguma austeridade, ficou mais sério mas mostra-se ainda perfeito no equilíbrio.
Dica: muito bem com peixes de forno e/ou bivalves à Bulhão Pato.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top
×Close search
Search