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À procura do melhor caminho

No vinho dispensam-se regras rígidas. Basta bom senso.

Periodicamente vêm a público discussões em torno do estilo dos vinhos existentes no mercado. Ou porque têm madeira a mais, ou porque são feitos em depósito de cimento, ou usam talhas de barro ou são pisados a pé ou porque as uvas vêm de vinhas velhas ou porque as castas são desconhecidas. Enfim, as variantes são tantas (e ainda bem) e as cambiantes regionais, climáticas, solos diversos e estilos personalizados são tais que é muito difícil traçar uma linha clara que separa os bons dos maus, os que estão na linha justa (os dos vinhos autênticos) e os que são técnicos no sentido mais duro do termo. Isto vem a propósito das novas tendências que galgam terreno e que vão ganhando novos adeptos. Refiro-me aos vinhos de agricultura biológica e aos produtores que se reclamam de um novo conceito de enologia, menos interventiva e que permite o vinho expressar-se sem maquilhagem, aqui usando a frase que Filipa Pato usa para os seus vinhos. É sempre bom ver conceitos renovados, assistir à modificação de práticas tidas agora como mais amigas do ambiente e todos nós temos a ganhar com isso. O que acontece é que, atrás dos novos conceitos, vem o espírito fundamentalista do “quem não pensa como eu é inimigo” e “quem não faz como eu, é um vendido às grandes empresas dos produtos enológicos”. A parvoíce grassa, sempre coadjuvada pela ignorância e a Net e as redes sociais ajudam a encontrar espaço para destilar conceitos mal assimilados e tontices do género “fazer como os antigos” ou “voltar às práticas ancestrais”. A idade ajuda e a memória também para sabermos que o que se fazia no tempo dos nossos pais e a agressividade dos produtos usados na agricultura era brutal e que hoje, mesmo numa agricultura convencional, o produto final é bem mais são e isento de toxicidade. É claro que não haverá ninguém no seu juízo que não aplauda o caminho em direcção a práticas mais respeitadoras do ambiente (contrariando, como disse, as práticas antigas) e a limitação de produtos ao mínimo. Mas, mais uma vez, vale a pena reafirmar: a produção vitícola é bem mais sã que muitas outras actividades agrícolas e o vinho bem menos marcado por produtos químicos. E tudo o que se aplaude e incentiva a um pequeno produtor, com os riscos que queira correr, tudo se tem de aceitar a um grande produtor que não se pode dar ao luxo de perder cubas inteiras de mosto que viraram vinagre porque ah e tal, não quero usar leveduras ou que o vinho se vai estragar porque não usei sulfitos! Sejamos francos: o bom senso ajuda a que não se deva colocar tudo no mesmo saco. Os bons não são os naturalistas e os maus os adeptos da técnica segura. Além de que, pela prova, é muito difícil distinguir, por exemplo, um vinho de agricultura biológica de outro que vem de uma agricultura convencional. Temos apenas que acreditar? Talvez, mas daí não vem mal. O que é triste é ver os campos a extremarem-se. Todos têm lugar mas será bom deixarmo-nos de intenções de proselitismo.

Sugestões da semana:
(Os preços, meramente indicativos, foram fornecidos pelos produtores)

Terrenus branco 2015
Região: Alentejo – Portalegre
Produtor: Rui Reguinga
Enologia: Rui Reguinga
Castas: vinhas velhas com várias castas
PVP: €15
Vinhas na serra de São Mamede. Graduação muito ajustada (12,5%). Parcialmente fermentado em barrica.
Dica: Belíssimo branco, muito expressivo e complexo. Merece copos largos e temperatura não abaixo dos 12º.

Quinta Casa Amarela Reserva tinto 2013
Região: Douro
Produtor: Laura Regueiro
Enologia: Jean-Hugues Gros
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz
PVP: €23
Produzido entre a Régua e Lamego. O vinho estagiou em barricas novas de carvalho. O lote é o clássico do Douro.
Dica: muito harmonioso, perfeito para pratos de carne assada ou estufada.

Espumante Real Companhia Velha Bruto 2013
Região: Sem Denominação de Origem
Produtor: Real Companhia Velha
Enologia: Jorge Moreira
Castas: Pinot Noir e Chardonnay
PVP: €19,90
Leve tonalidade rosada (mas não indica cor no rótulo), junta aqui as duas castas mais famosas da região de Champagne.
Dica: grande classe quer para aperitivo quer para acompanhar peixe e marisco à mesa. Muito boa relação qualidade/preço.

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